Grupo A1 https://a1.com.br Soluções Personalizadas para a Indústria Fri, 18 Sep 2026 19:33:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://a1.com.br/wp-content/uploads/2025/04/atual-150x150.png Grupo A1 https://a1.com.br 32 32 Mapeamento de Shives em Plantas de Polpa Branqueada de Eucalipto https://a1.com.br/2026/09/18/mapeamento-de-shives-em-plantas-de-polpa-branqueada-de-eucalipto/ Fri, 18 Sep 2026 19:25:32 +0000 https://a1.com.br/?p=2858
  1. Introdução

 

Na indústria de celulose o maior desafio é conciliar a geração de produtos de alta qualidade com maior capacidade de produção, algo comum na maioria das fábricas modernas brasileiras. Além disso, cada vez mais as indústrias buscam diversificar com produtos de alto valor agregado, tais como produtos prime e extra prime. Assim, ações no sentido de maximizar os recursos, matérias primas e minimizar perdas de qualidade são imperativas para manter a competitividade (KÄLKÄJÄ, KOSKINEN e FURLEY, 2008; PIKKA et al, 2019).

Nesse sentido uma das perdas de qualidade de maior impacto no produto final é representada pela perda por sujidades, onde causam pontos escuros na folha de celulose causando desclassificação quando o valor é superior a 2,00 mm²/kg no produto acabado (fig. 1). A sujidade pode ser classificada como “shives”, palitos, pintas, “pitch”, areia, etc. 

Figura 1 – Sujidades no produto final por shives (Fonte: foto do autor, 2021)

 

Em muitas fábricas a maioria da perdas por sujidades são ocasionadas pela presença de palitos (shives). Portanto, entender os “shives” e seus impactos e estabelecer ações no intuito de mitigá-los são cruciais.

O objetivo desse artigo é mostrar um guia prático e estruturado para mapear os shives ao longo da linha de fibras e avaliar se as estratégias operacionais estão gerando os efeitos necessários e suficientes.

 

  1. Entendendo os Shives e seu Impacto

 

Durante o cozimento Kraft nem todos os cavacos sofrem deslignificação uniforme, gerando uma fração de materiais denominados rejeitos e shives (MATTIAZZO et al, 2018). Define-se como shives as partículas de madeira mal cozidas ou não completamente desfibradas que permanecem após o cozimento e/ou em etapas posteriores (fig. 2). Em geral é impossível evitar a geração de shives/palitos, pode-se diminuí-los, mas não eliminar.

Figura 2 – Shives (Fonte: foto do autor, 2021)

A presença de palitos/shives na polpa celulósica gera impactos na qualidade final do produto, tais como:

  • Redução na qualidade visual (pontos negros nas folhas);
  • Aumento no consumo de químicos do branqueamento (mais severo);
  • Aumento nas perdas de fibras (rejeitos e retrabalho);
  • Aumento nos defeitos no papel (perdas de resistência física).

Logo, uma série de ações tem sido tomadas pelas fábricas com objetivo de reduzir ou mitigar o efeito dos shives no produto. Entre as estratégias usadas para reduzir a geração de rejeitos/shives pode-se melhorar qualidade dos cavacos (reduzindo variabilidade da espessura) e, consequentemente melhorar impregnação desses pelo licor de cozimento. Bem como, através do aumento da carga alcalina e fator H no digestor (FOEKEL, 2007).

Outra maneira de reduzir rejeitos/shives seria através de uma deslignificação com oxigênio e de um branqueamento mais drástico. Mas, a que custo e limitações???

Todavia, ressalta-se que uma maior adição de químicos (dióxido de cloro, soda, peróxido, etc.) impacta sobre viscosidade da polpa, além de gerar maior quantidade de AOX nos filtrados do branqueamento, sobretudo o dióxido.

 

  1. Mapeamento dos Shives no Processo

 

Quando se refere a mapeamento de shives, isso nos remete a identificar os pontos críticos de geração e acúmulo (PIKKA et al, 2019). Assim, é necessário e de forma sistemática mapear toda a linha de fibras (Digestor, Deslignificação com Oxigênio, Depuração e Branqueamento).

 

Iniciando pelo Preparo de Madeira, em que a variação nas dimensões nominais dos cavacos causa mais impacto na geração de rejeitos, que outros fatores, tais como carga alcalina e sua distribuição e fator H. Quanto maior a não uniformidade no tamanho de cavaco que entra no digestor, maior será o conteúdo de shives (supondo que estejam mantendo os mesmos alvos de Kappa). A medição do teor de shives reflete com mais precisão a variação das dimensões dos cavacos do que o número Kappa.

 

O Digestor é um ponto crucial, no qual a uma impregnação deficiente, canalizações de licor, distribuição de carga alcalina irregular e perfil térmico desuniforme podem conduzir a uma maior geração de rejeitos. Pois geram reações químicas não homogêneas durante o cozimento.

 

Outro ponto importante a monitorar é a Deslignificação com Oxigênio, a qual desempenha um papel significativo no tocante a redução de rejeitos. Ela atua na dissolução da lignina residual presente nos shives, deixando-os amolecidos e passíveis de fragmentação. Tornando-os mais fáceis de serem branqueados. Assim, uma instabilidade nos parâmetros operacionais dessa etapa (consistência de alimentação, carga de oxigênio, carga alcalina, temperatura, pressão no reator, etc.) pode prejudicar a remoção de shives (VERACEL, 2017).

 

Um ponto crítico também é a Depuração, sendo uma etapa crucial para minimizar rejeitos na linha de fibras. Da mesma forma instabilidade nos parâmetros operacionais dessa etapa (consistência de alimentação, diferencial de pressão, taxa de rejeitos, etc.) pode comprometer a remoção de shives.

 

Por último, o Branqueamento, no qual os primeiros estágios de branqueamento (DA ou DHOT, EP ou EOP) desempenham um papel relevante na redução e controle de shives. Também, variações nos parâmetros operacionais (Fator Kappa, pH, temperatura, consistência de alimentação, tempo de retenção, carga de químicos, etc.) causam interferência na redução de shives (HART e RUDIE, 2012; HART, 2019).

 

  1. Metodologia de mapeamento

 

  • Plano de amostragem

 

O primeiro passo é estabelecer os pontos de coleta, ou seja, pontos-chave de geração/acúmulo de shives. De acordo com o mencionado no tópico anterior.

 

Na figura 3, a título de exemplo foi considerado uma linha de fibras constituída de digestor contínuo – lavagem marrom – deslignificação com oxigênio – depuração – lavagem pós-depuração – branqueamento ECF-light com 3 estágios (DA, Ep e D1):

 

  • P1 – Saída do digestor;
  • P2 – Alimentação do reator de deslignificação com oxigênio;
  • P3 – Alimentação dos depuradores primários;
  • P4 – Saída de aceites dos depuradores primários;
  • P5 – Entrada dos lavadores da polpa depurada;
  • P6 – Entrada da etapa DA (1º estágio de branqueamento);
  • P7 – Saída da etapa DA;
  • P8 – Saída da etapa EP (2º estágio de branqueamento);
  • P9 – Saída da etapa D1 (3º estágio de branqueamento).

 

Figura 3 – Exemplo de pontos de amostragem (Fonte: adaptado de ANDRITZ, 2014)

O segundo passo é determinar o período ou frequência de coletas. Recomenda-se, inicialmente, uma frequência de 2 vezes ao dia num período de um (01) mês. Coincidindo com os turnos que operam em horário administrativo, para se adequar a rotina do laboratório de controle de qualidade.

  • Metodologia

Sobre as amostras coletadas, nos pontos 1 a 5, determinar a consistência e teor de rejeitos de acordo com as normas SCAN17:64 e Somerville T275 sp-12.

Através da peneira Somerville consegue-se uma boa retenção das impurezas usando ranhuras de 0,15 mm, porque os rejeitos são de classe I, II e III e devido a sua dimensão (ver classificação de impurezas Tappi T-213 om – 21).

Já sobre as amostras coletadas, nos pontos 6 a 9, confeccionar folhas e medir o número de palitos por folha (shives) e sujidades (mm2/kg), bem como se determinar a consistência. Como as dimensões dos palitos tornam-se muito pequenas (Classes 4 e 5 – Tappi T-213) fica mais difícil a retenção na peneira Sommerville (com ranhura de 0,15 mm). Logo, o recomendável que se faça a determinação da quantidade de shives, através de método visual!

O motivo de mensurar nº de palitos por folha se deve ao fato de que os palitos (minishives) são reduzidos a uma fração bem baixa e aqueles que permanecem na polpa são de dimensões muito pequenas.

 

4.3 Avaliação dos resultados

 

Para avaliação dos resultados se pode utilizar de ferramentas analíticas, tais como diagrama de Pareto ou Boxplot do teor de rejeitos (pontos de amostragem 1 a 5) relacionando % rejeitos versus pontos de amostragem. Dessa forma permite-se avaliar o comportamento/desempenho em termos de redução de rejeitos/shives após Blow-Tank, Deslignificação com oxigênio, Depuração e Lavagem Pós-Depuração e gerar um perfil.

Já para avaliar o perfil de palitos/shives no branqueamento (pontos de amostragem 6 a 9) sugere-se um Boxplot do número de palitos/folha versus pontos de amostragem. Também se pode construir um diagrama Boxplot de sujidades (mm²/kg) versus pontos de amostragem.

Dessa forma permite-se avaliar o comportamento/desempenho em termos de redução de rejeitos/shives nas etapas de branqueamento e gerar um perfil.

 

  1. Considerações finais

 

O mapeamento de shives mostra-se uma ferramenta essencial para compreender a dinâmica de geração, remoção e eventual reincorporação dessas impurezas na polpa branqueada de eucalipto. A abordagem sistemática proposta, baseada em um plano estruturado de amostragem, metodologias analíticas adequadas e ferramentas estatísticas como Boxplot e Pareto, permite não apenas identificar os pontos críticos do processo, mas também quantificar a eficiência de cada etapa na mitigação de rejeitos.

 

Os resultados obtidos a partir desse tipo de análise evidenciam que a formação de shives está fortemente associada a variabilidades operacionais, principalmente na qualidade dos cavacos e na eficiência da impregnação e do cozimento no digestor. Contudo, também fica claro que etapas subsequentes, como deslignificação com oxigênio, depuração e branqueamento, desempenham papel determinante na redução (ou amplificação) desses efeitos iniciais.

 

Outro ponto relevante é que estratégias baseadas exclusivamente no aumento de severidade química, embora eficazes no curto prazo, podem gerar impactos negativos importantes, como redução da viscosidade da polpa e aumento da carga ambiental. Dessa forma, o controle de shives deve ser orientado prioritariamente por ações de estabilidade operacional e controle de variabilidade, e não apenas por intensificação de condições de processo.

 

Assim, usar o mapeamento de shives como ferramenta de gestão permite às fábricas:

  • Atuar de forma proativa na origem do problema (madeira e digestor);
  • Ajustar parâmetros operacionais com base em dados e evidências;
  • Reduzir perdas de qualidade e custos associados;
  • Aumentar a robustez e estabilidade da operação;
  • Sustentar a produção de celulose em níveis mais altos de classificação (prime e extra prime).

 

Por fim, destaca-se que plantas que incorporam essa abordagem de forma rotineira tendem a evoluir para níveis mais avançados de controle, integrando dados de processo, qualidade e desempenho energético, caminhando em direção a operações cada vez mais otimizadas, previsíveis e competitivas no cenário global de celulose branqueada de eucalipto.

 

  1. Referências bibliográficas

 

BS EN ISO 5350-2:2006 – Pulps. Estimation of dirt and shives – Inspection of mill sheeted pulp by transmitted light. British Standards Institution. Disponível em: <https://doi.org/10.3403/BSENISO5350>. Acesso em: 24 de mai 2026.

FOEKEL, C. – Resíduos sólidos industriais da produção de celulose Kraft de eucalipto. Parte 01: Resíduos orgânicos fibrosos. Junho 2007. Disponível em: <http://coral.ufsm.br/dcfl/seriestecnicas/capitulo_residuos>. Acesso em: 14 de mai 2026.

HART, P. W., RUDIE, A.W. – The Bleaching of Pulp. Tappi Press, 5. Ed., Atlanta, GA, 2012.

HART, P. W. – Pulp bleaching. Kirk Othmer Encyclopedia of Chemical Technology, p.1–30, 2019. Disponível em:  <https://www.researchgate.net/profile/Peter-Hart-2/publication/333715181_Pulp_Bleaching/links/63e6999fe2e1515b6b876ed5/Pulp-Bleaching.pdf >. Acesso em: 24 de mai 2026.

ISO 5350-2:2006 – Pulps – estimation of dirt and shives – Part 2: Bleached pulps. In: ISO Standards Handbook – Paper boards and pulps. 2006.

KÄLKÄJÄ, T., JARMO KOSKINEN, J. and FURLEY, M. – Online fiber and shive measurement enhances quality in chemical HW pulping. 2008. Disponível em: <https://www.eucalyptus.com.br/artigos/2008-Online+Fiber+Analyser.pdf>. Acesso em: 20 de mai 2026.

MATTIAZZO, F. B. et al. – Utilização de valores online de shives em controles avançados no branqueamento. 51° ABTCP Congresso Internacional de Celulose e Papel CIADICYP. Outubro, 23-25, 2018.

PIKKA, O., et al. – Shives and sand profile investigation in fiberline screenroom. O Papel, v. 80, n° 6, p. 83-89, 2019.

SANTOS, R.B., MUNDALY, G. – Impact of Pulpmill Operations on Papermaking: Carryover 1 – Black liquor, defoamers, dirt, shives and strategies to minimize. Tappi Centenial Celebration, 2015.  Disponível em: <https://www.eucalyptus.com.br/artigos/outros/2015_Impact_pulp_mill_operations.pdf>. Acesso em: 15 de mai 2026.

VERACEL – Os fatores de sucesso para alta qualidade de celulose: 2017. Disponível em: <https://www.eucalyptus.com.br/artigos/2010_Optimum+Long+Fiber+Refining.pdf.>. Acesso em: 19 de mai 2026.

VIANNA, V., et al – Reduction of solid waste from pulp mill fiberline. 6th ICEP. November, 24-27, 2013.

TAPPI/ANSI – T 213 om – 21 – Dirt in Pulp – Chart Method. Atlanta. Tappi Press. 2021.

TAPPI/ANSI – T 275 sp – 23 – Screening of Pulp (Somerville – type equipment). Atlanta. Tappi Press. 2023.

 

 

 

]]>
Desafios do aumento de Kappa em fábricas Integradas de Papel Kraftliner https://a1.com.br/2026/08/14/desafios-do-aumento-de-kappa-em-fabricas-integradas-de-papel-kraftliner/ Fri, 14 Aug 2026 17:57:34 +0000 https://a1.com.br/?p=2828
  • Introdução
  • O aumento do número Kappa tem sido discutido e amplamente estudado nos últimos anos nas fábricas integradas brasileiras e estrangeiras, devido a fatores, tais como:

    • Aumento de rendimento da polpa;
    • Redução do consumo específico de madeira;
    • Redução da carga térmica no digestor;
    • Aumento de propriedades do papel (RCT, SCT, CMT, Bulk, etc.);
    • Redução de custos químicos;
    • Adequação às demandas de embalagens de alta resistência mecânica.

    Essa estratégia vem sendo muito usada nas plantas integradas que produzem papel Kraftliner. Atualmente muitas plantas buscam operar numa faixa de 80 – 100.

    Porém, com o aumento de Kappa, as fibras obtidas ficam rígidas devido a maior lignina residual, implicando num maior consumo de energia de refinação. Além disso, ocorrem impactos na drenagem e maior dificuldade em equilibrar entre resistência mecânica e formação. Mostrando um grande desafio em estabelecer ligação interfibras.

    O foco dessa reflexão tem como objetivo mostrar os benefícios e desafios a serem enfrentados ao aumentar o número Kappa e seus impactos na produção de papéis Kraftliner.

    1. Impactos do aumento do Kappa na Linha de Fibras

    Não há dúvidas que o principal motivador industrial para o aumento do Kappa é o aumento de rendimento e, consequentemente uma redução significativa do consumo de madeira por tonelada de papel. O aumento de rendimento e a redução de consumo específico de madeira tornam-se fatores cruciais em cenários de alto custo de madeira e projetos de sustentabilidade ambiental (fig. 1).

    Figura 1 – Impactos do aumento número Kappa na polpa (Fonte: elaborado pelo autor)

     

    No entanto, um problema muito comum em aumentar o Kappa, para a operação, é fornecer uma celulose uniforme e de alta qualidade que minimize variações e problemas adicionais durante as operações subsequentes (como a depuração e lavagem) ou problemas de funcionamento das máquinas de papel (como a frequência de quebras).

    Em geral o aumento de Kappa traz “efeitos colaterais” que devem ser considerados, tais como:

    • Aumento do teor de rejeitos;
    • Aumento do consumo de energia da refinação de rejeitos na linha de fibras;
    • Redução de sólidos secos para a caldeira de recuperação;
    • Redução na produção de energia.

    O grande desafio é minimizar esses efeitos colaterais. Sendo o primeiro passo a redução da variabilidade do número Kappa, através de uma melhor qualidade dos cavacos (distribuição granulométrica, espessura, teor de umidade, etc.), qualidade do licor branco (carga alcalina, licor/madeira, concentração, Sulfidez, etc.), Fator H e Álcali Residual.

    Outro aspecto a se destacar é o impacto do aumento do teor de rejeitos sobre a planta de depuração existente, causando entupimentos nos depuradores, bem como aumento de consumo de energia na refinação da fração rejeitada. Nesse sentido uma impregnação uniforme é elemento-chave para se produzir polpa com elevado Kappa e baixo teor de rejeitos.

     

    1. Refinação de polpa de Kappa alto e seus efeitos na drenabilidade e propriedades do papel

     

    O aumento do Kappa implica em fibras mais rígidas, menos colapsadas e mais hidrofóbicas, o que altera significativamente seu comportamento na refinação, drenagem e secagem.

     

    Não há dúvida que a elevação do Kappa entre 80 e 100, obtêm-se fibras mais rígidas que conferem as propriedades necessárias para a embalagem, como resistência à compressão. Todavia, durante o processo de refinação (preparo de massa) devido ao alto teor de lignina, a fibrilação exige maior consumo de energia específica para alcançar o nível de refino desejado (°SR). Além do maior consumo energético, o elevado teor de lignina residual interfere negativamente na drenabilidade da suspensão fibrosa, e dificulta a formação da folha na máquina de papel.

     

    No tocante ao impacto de maior consumo de energia na refinação, o primeiro passo é otimizar a hidrodinâmica no processo de refino propriamente dito. Uma estratégia para economizar energia é controlar o refinador para manter uma carga de borda específica (SEL – Specific Energy Load) constante por velocidade variável de acordo com as flutuações de produção. Outra forma de reduzir o consumo de energia é adequar o desenho (geometria) dos discos do refinador.

     

    Outro desafio refere-se a drenabilidade, que depende da intensidade de refino. Uma intensidade muito baixa não consegue tratar as fibras de forma eficaz, mas facilita a drenagem na tela de formação. Por outro lado, uma intensidade muito alta gera cortes nas fibras causando maior percentual de finos e aumenta a dificuldade de drenagem a formação da folha. Assim, adequações na geometria dos discos de refinação permitem encontrar o nível ótimo de intensidade de refino, sem comprometer as propriedades de resistência.

     

    Um impacto decorrente do aumento de Kappa que também deve ser considerado nas máquinas de papel, em especial na secagem, relaciona-se a perda de drenagem devido a polpa ser mais lignificada exigindo mais energia térmica para a remoção de água. Demandando ajuste do balanço térmico.

     

    1. Considerações finais

     

    O aumento do número Kappa representa uma oportunidade técnica e econômica significativa, desde que acompanhado de ajustes integrados no refino, secagem e controle de qualidade. Com monitoramento rigoroso e aplicação de práticas de compensação (refino otimizado, aditivos de resistência, controle de variabilidade), é possível alcançar uma melhor relação custo-benefício global.

     

    Para os papéis Kraftliner, utilizados em embalagens, o aumento da energia de refino e a possível redução da velocidade da máquina devido à drenagem deficiente são compensados ​​pela economia proporcionada pelo maior rendimento.

     

    1. Referências bibliográficas

     

    ANTONSSON, S.; KARLSTRÖM, K.; LINDSTRÖM, M. – Applying a novel cooking technique to produce high Kappa number pulps. Nordic Pulp & Paper Research Journal, v. 24, n° 4, p. 415-420, 2009.

    CORREIA, F.M.; D’ANGELO. J.V.H.; SILVA JÚNIOR, F.G.D. – Revisitando número Kappa: Conceitos e aplicações na indústria de celulose. O Papel, v.80, n° 7, p. 77-85, 2019.

    GHOSH, A. – Optimal Refining Strategy of High Yield Unbleached Long Fibre Kraft Pulp: In-situ Investigation. Disponível em: https://www.eucalyptus.com.br/artigos/2010_Optimum+Long+Fiber+Refining.pdf.

    HART, P. W. E. – Enhancing yield through high-kappa pulping. Tappi Journal, v. 13, n. 10, p. 33-35, 2014.

    KAUPPINEN, J. – High kappa refining and its effect on drainability and the technical properties of paper. 2019. Tampere University. Dissertação de Mestrado.

    PATIL, R.; VAN HEININGEN, A. – Increasing packaging grade kraft pulp yield by using sodium methyl mercaptide. Journal of Wood Chemistry and Technology, v.43, n° 6, p. 337-345, 2023.

    ]]>
    Material para Estudo – Disponível para toda a Comunidade Técnica https://a1.com.br/2026/07/14/conhecimento-que-transforma-a-engenharia/ Tue, 14 Jul 2026 21:24:07 +0000 https://a1.com.br/?p=2746

     

     

     

    Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.

    ]]>
    TRANSFORMAÇÃO DIGITAL | BIM https://a1.com.br/2026/06/15/transformacao-digital-em-projetos-industriais/ Mon, 15 Jun 2026 17:24:08 +0000 https://a1.com.br/?p=2721

    1.     TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

    Transformação digital” virou, nos últimos anos, uma expressão de uso tão amplo que perdeu precisão. No contexto da engenharia industrial, ela é invocada para justificar desde a compra de uma licença de softwares de modelagem 3D, fluxogramas inteligentes e até a migração de um acervo de plantas para PDF, iniciativas legítimas, mas que não chegam perto do que o termo deveria significar.

    A literatura especializada separa os dois conceitos com clareza: digitalização é a conversão de informação analógica em digital; transformação digital pressupõe mudança estrutural nos processos, nas relações organizacionais e na forma como o valor é gerado ao longo do ciclo de vida de um ativo (ROGERS, 2016; OSTERWALDER; PIGNEUR, 2010).

    A diferença não é semântica. Uma empresa pode digitalizar décadas de plantas e continuar operando com os mesmos problemas de antes, informação fragmentada, decisões baseadas em documentos desatualizados, silos entre departamentos e aquele velho retrabalho que a equipe só descobre na fase de montagem em campo.

    No setor industrial, a transformação genuína depende da articulação coerente de três camadas: Sistemas, Plataformas e Metodologia BIM.

    Uma planta de papel e celulose, uma unidade petroquímica ou uma instalação de processamento de gás operam com centenas de disciplinas, milhares de tags de instrumentação e entregáveis contratuais interdependentes.

    Nenhuma dessas camadas, isoladamente, produz transformação. Uma planta de papel e celulose, uma unidade de geração termelétrica ou uma instalação petroquímica operam com centenas de disciplinas, milhares de tags de instrumentação, cronogramas de comissionamento e entregáveis contratuais interdependentes. Gerenciar essa complexidade exige que as três camadas funcionem de forma integrada e governada. Este artigo percorre cada uma delas, demonstrando seu papel específico e as consequências de sua ausência.

    2.       CAMADA 1 – SISTEMAS: a infraestrutura que conecta disciplinas

    Em qualquer projeto industrial de alta complexidade, a informação técnica nasce distribuída. Civil, estrutural, tubulação, equipamentos, automação, instrumentação, elétrica, HVAC e utilidades, cada disciplina trabalha com seus próprios sistemas, suas próprias convenções e, muitas vezes, seus próprios formatos de arquivo. O AVEVA E3D cuida da tubulação e do arranjo tridimensional; o Tekla, das estruturas metálicas; o COMOS e o AVEVA Engineering, dos fluxogramas de processo e da instrumentação; o Revit, das edificações, E&IA e utilidades. Cada um desses ambientes produz informação de qualidade dentro do seu domínio. O problema é que, historicamente, eles não se falam.

    Essa fragmentação tem consequências diretas e conhecidas: interferências físicas entre tubulação e bandejas de cabo descobertas na fase de montagem; estruturas de suporte subdimensionadas para cargas de equipamentos incluídos tardiamente; dados de processo que não chegam ao banco de dados de instrumentação porque transitam por planilhas intermediárias. O custo de resolver esses problemas em campo é ordens de grandeza maior do que o custo de tê-los identificado na engenharia (MCGRAW-HILL CONSTRUCTION, 2014).

    A primeira camada da transformação digital é o que permite que esses sistemas conversem. Formatos abertos como o IFC (Industry Foundation Classes), regidos pela norma ISO 16739, e integrações via API entre ambientes de engenharia viabilizam a composição de um modelo federado, uma visão unificada do projeto onde cada disciplina contribui com sua parcela e onde as inconsistências entre elas ficam visíveis antes de chegarem ao campo. Quando esse modelo é alimentado com os atributos corretos e na granularidade definida pelo LOIN (Level of Information Need), ele se torna o repositório técnico central do empreendimento (EASTMAN et al., 2011).

    2.1 Conexão com Sistemas de Gestão de Ativos

    A relevância dos Sistemas não termina no encerramento do contrato de engenharia. Para que o as-built digital tenha utilidade operacional real, ele precisa estar conectado aos sistemas EAM (Enterprise Asset Management) ou CMMS (Computerized Maintenance Management System) do operador, os ambientes onde são gerenciadas as ordens de manutenção, as inspeções periódicas e as paradas programadas. Sem essa integração, o modelo 3D e o banco de dados de engenharia encerram sua vida útil junto com o contrato EPC, tornando-se um acervo caro e sem destinação funcional (VOLK; STENGEL; SCHULTMANN, 2014). É uma perda que raramente aparece no balanço do projeto, mas que o operador sente durante décadas.

    3.       CAMADA 2 – PLATAFORMAS: o ambiente onde a colaboração acontece

    Se os Sistemas produzem a informação técnica, as Plataformas são o ambiente onde ela é compartilhada, revisada, aprovada e rastreada. A distinção importa porque produzir informação de qualidade não é suficiente se ela circula por canais descontrolados, e-mails, pastas compartilhadas, grupos de mensagem, onde não há como garantir que cada equipe está trabalhando com a versão vigente.

    3.1 CDE Ambiente Comum de Dados

    Em projetos industriais, a informação técnica não tem valor apenas pelo seu conteúdo. Ela tem valor pelo estado em que se encontra: quem a produziu, quem a aprovou e se ela pode ser usada para fundamentar uma decisão naquele momento. Essa é a premissa do CDE (Common Data Environment), definido pela norma ISO 19650-1 como o ambiente acordado para coletar, gerenciar e disseminar os contêineres de informação de um projeto ou ativo ao longo de seu ciclo de vida (BSI, 2019).

    O CDE não é um servidor de arquivos bem-organizado. É uma plataforma de fluxo de trabalho, um ambiente que define como cada documento, modelo ou especificação técnica nasce, muda de estado, é revisado, aprovado e publicado para consumo pelas equipes de projeto, construção, montagem e operação.

    O coração do CDE como plataforma é o controle de estados da informação. A norma ISO 19650 define quatro estados: Work In Progress (WIP), Shared, Published e Archived. No ambiente de um projeto industrial, esses estados têm consequências operacionais diretas e imediatas. Um isométrico de tubulação em WIP não pode alimentar a fabricação de spools. Um datasheet de vaso de pressão no estado Published é o documento que suporta a ordem de fabricação ao fornecedor. Ignorar esse controle, ou tratá-lo como formalidade é a origem de boa parte dos retrabalhos de fabricação e das não conformidades que aparecem no comissionamento (AZHAR, 2011).

    Em projetos com múltiplos contratantes, EPC, subcontratados de montagem, fornecedores de equipamentos críticos e fiscalização do owner, o CDE é o único ponto de verdade do projeto. Quando ele não existe ou não é usado como fluxo real de trabalho, diferentes equipes inevitavelmente trabalham com revisões distintas do mesmo documento. Esse cenário não é hipotético: é o cotidiano de projetos que ainda operam por e-mail e não descobrem o problema até que o spool errado já esteja fabricado.

    3.2 Clash Detection e Gestão De Issues

    Sobre o modelo federado gerenciado no CDE, duas funcionalidades têm impacto direto na qualidade de projetos industriais: a detecção de interferências e o rastreamento de pendências.

    A clash detection, sejam interferências do tipo hard (conflito físico direto) ou soft (violação de tolerância operacional), quando executada sistematicamente, expõe na fase de engenharia o que seria descoberto na fase de montagem a um custo potencialmente 10 a 100 vezes maior (MCGRAW-HILL CONSTRUCTION, 2014).

    O rastreamento estruturado de issues vinculado ao modelo tridimensional cria a trilha de auditoria que suporta tanto a gestão contratual quanto os requisitos de garantia da qualidade exigidos pela ISO 9001 e por regulamentos setoriais.

    3.3 COORDENAÇÃO 4D e o Planejamento de Obras Industriais

    O BIM 4D, vinculação do modelo tridimensional ao cronograma de execução estruturado por WBS permite simular a sequência construtiva antes que qualquer equipamento chegue ao campo. Em projetos industriais, isso tem valor especialmente na logística de equipamentos de grande porte: turbinas, permutadores de calor, vasos de pressão. Esses itens não admitem reposicionamento. Errar a sequência de chegada ou a janela de içamento não é um desvio administrativo, é um problema de engenharia com custo e prazo reais (SACKS et al., 2018).

    3.4 Gêmeos Digitais

    O gêmeo digital é uma réplica dinâmica de um ativo físico, alimentada continuamente por dados de sensores, sistemas de controle e históricos operacionais (GRIEVES; VICKERS, 2017). Ao contrário do modelo BIM, que representa o ativo em um estado fixo de desenvolvimento, o gêmeo digital existe em tempo real: ele reflete o que está acontecendo na planta agora, não o que foi projetado.

    No contexto industrial, essa distinção tem uma implicação prática importante: o gêmeo digital não é o ponto de partida da transformação digital. É o resultado mais maduro dela. Um modelo sem atributos consistentes, um CDE abandonado após o handover ou um BEP que não previu os requisitos da fase operacional inviabilizam o gêmeo digital antes mesmo de ele ser construído.

    Como plataforma, o gêmeo digital reúne três fluxos que, nos projetos industriais tradicionais, nunca se comunicaram: o modelo de informação do ativo, vindo do BIM; os dados operacionais em tempo real, vindos de SCADA, PI Historian e PLCs; e os registros de manutenção e integridade, vindos do EAM e CMMS. Ao cruzar esses três fluxos sobre uma geometria tridimensional rastreável, ele transforma o modelo de informação em um ambiente de decisão, não num arquivo de engenharia guardado em servidor.

    Na prática de uma planta de celulose ou de uma unidade petroquímica, isso significa que o engenheiro de confiabilidade não precisa cruzar manualmente dados de vibração do CMMS com a localização física do equipamento e o histórico de intervenções. Ele navega até o compressor no modelo 3D, e encontra vinculados àquele tag: os dados de vibração das últimas 72 horas, a data da última troca de rolamentos e o intervalo recomendado pelo fabricante. Tudo na mesma tela. Essa convergência é o que distingue o gêmeo digital de qualquer outra plataforma de coordenação: ele conecta o dado de projeto ao dado de operação sobre a geometria real do ativo.

    O que é decisivo entender é que esse resultado precisa ser planejado no EIR, estruturado no BEP e construído durante o projeto, com a definição de quais atributos precisam estar vivos na operação, não apenas presentes no handover. Plantas que não fizeram essa escolha no início gastam, anos depois, muito mais para retroalimentar um modelo que foi desenvolvido para ser entregue, não para ser operado.

    4. CAMADA 3 – METODOLOGIA BIM: a governança que sustenta as demais camadas

    Sistemas e Plataformas são condição necessária, mas insuficiente. Sem uma metodologia que defina como a informação deve ser produzida, validada e entregue, as ferramentas tecnológicas tornam-se repositórios caros de dados inconsistentes. A Metodologia BIM é a camada que governa as outras duas.

    O ponto de partida é o EIR (Employer’s Information Requirements) ou, na terminologia da NBR 15965, o Requisito de Informação do Contratante. É o documento pelo qual o dono do ativo especifica quais informações necessita, em qual granularidade (LOIN), em quais momentos do projeto e em quais formatos de entrega. O EIR é o que impede que o modelo 3D seja detalhado além do necessário para a fase de anteprojeto ou, no sentido inverso, que seja entregue sem os atributos que alimentarão o sistema de gestão de ativos na operação.

    Em resposta ao EIR, a contratada elabora o BEP (BIM Execution Plan) o documento que formaliza como os requisitos informacionais serão atendidos: quais ferramentas serão usadas, qual a estrutura de nomes e revisões, quais as responsabilidades disciplinares na coordenação e qual o fluxo de aprovação no CDE. O BEP funciona como o contrato informacional do projeto (BSI, 2019).

    4.1 LOIN: A questão da granularidade

    Um dos erros mais frequentes em projetos BIM é desenvolver o modelo no nível de detalhe errado para a fase em que se encontra. O LOIN (Level of Information Need), alinhado à ISO 19650, define não apenas o desenvolvimento geométrico, mas também quais informações alfanuméricas e documentais são necessárias em cada etapa, e sob responsabilidade de quem.

    A Figura 3 ilustra esse conceito aplicado a um painel elétrico: na fase conceitual, uma representação simplificada com poucos dados é suficiente; na fase básica, entram TAG, tensão, corrente e grau de proteção; na fase detalhada, dimensões, fixações e documentos de engenharia. Nas fases de construção e comissionamento, o modelo passa a exigir número de série, certificados, FAT, manuais, configurações de relés e registros de testes.

    O LOIN não é aumento progressivo de detalhe gráfico. É a definição objetiva de qual informação é necessária, em qual fase, com qual finalidade. Essa clareza tem impacto direto em engenharia, compras, fabricação, montagem, comissionamento e operação.

    4.2 HANDOVER DIGITAL como entregável estratégico

    Tradicionalmente, o encerramento de um contrato EPC se dava pela entrega de volumes de documentação em PDF, DOC, XLS, DWG e pela transferência física da planta. No paradigma BIM, o handover digital estruturado pressupõe a entrega de um modelo federado com atributos validados, para posterior vinculação ao EAM do owner, com todos os tags de instrumentação, listas de equipamentos, datasheets e procedimentos de comissionamento referenciados nos respectivos elementos do modelo. Esse é o ativo informacional que permite ao owner industrial reduzir o MTTR e otimizar os ciclos de manutenção preventiva ao longo da vida útil do empreendimento (VOLK; STENGEL; SCHULTMANN, 2014).

    5.     A INTEGRAÇÃO COMO CONDIÇÃO – quando as camadas operam em conjunto

    A transformação digital não emerge da soma independente das três camadas, mas de sua integração funcional e governada. Um CDE robusto sem BEP que defina o fluxo de trabalho produz um repositório organizado com informação inconsistente. Um EIR detalhado sem os sistemas capazes de produzir o que especifica gera expectativas contratuais sem respaldo técnico. Sistemas de modelagem de ponta sem plataforma de coordenação resultam em modelos federados produzidos pontualmente, sem rastreabilidade de conflitos e sem continuidade ao longo do projeto.

    Estudos em empreendimentos industriais de grande porte demonstram que a integração efetiva das três camadas pode reduzir o volume de RFIs em campo em até 40%, diminuir os custos de retrabalho entre 15% e 25% e comprimir o tempo de comissionamento pela disponibilidade de um modelo de informação validado (AZHAR, 2011; SACKS et al., 2018).

    Mais do que eficiência, esses resultados refletem uma mudança de paradigma: a decisão deixa de ser tomada sobre documentação fragmentada e passa a ser suportada por informação estruturada, rastreável e auditável.

    1.     CONSIDERAÇÕES FINAIS

    A transformação digital em projetos industriais exige maturidade organizacional, clareza de objetivos informacionais e comprometimento de todos os atores da cadeia, engenharia, obra, EPC, fornecedores e owner. Ela não se realiza pela aquisição de licenças de software nem pela certificação de profissionais em ferramentas de modelagem 3D ou P&ID inteligentes.

    Ela se realiza quando os Sistemas garantem que a informação técnica seja produzida com precisão e interoperabilidade entre disciplinas; quando as Plataformas asseguram que essa informação seja gerenciada com rastreabilidade e colaboração real ao longo do projeto; e quando a Metodologia BIM formalizada no EIR, no BEP e nos processos derivados da ISO 19650 governa como as demais camadas operam, para quem e com qual propósito.

    O setor industrial tem hoje todo o aparato normativo, tecnológico e metodológico necessário para essa transformação. O que ainda falta com frequência é a decisão organizacional de tratar a informação como ativo estratégico do empreendimento, com o mesmo rigor com que se trata a engenharia de processo, a integridade de vasos de pressão ou a confiabilidade de sistemas críticos. Essa é, em última análise, a fronteira real da transformação digital na indústria.

     

    Referências Bibliográficas

    ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15965: Sistema de classificação da informação da construção.

    AZHAR, S. Building Information Modeling (BIM): Trends, Benefits, Risks, and Challenges for the AEC Industry. Leadership and Management in Engineering.

    BSI — British Standards Institution. ISO 19650-1: Organization and digitization of information about buildings and civil engineering works, including building information modelling (BIM) — Part 1: Concepts and principles. London: BSI, 2019.

    BSI — British Standards Institution. ISO 19650-2: Delivery phase of assets. London: BSI, 2019.

    EASTMAN, C. et al. BIM Handbook: A Guide to Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and Contractors. 2. ed. Hoboken: John Wiley & Sons, 2011.

    MCGRAW-HILL CONSTRUCTION. The Business Value of BIM for Construction in Major Global Markets. SmartMarket Report. New York: McGraw-Hill, 2014.

    OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation. Hoboken: John Wiley & Sons, 2010.

    ROGERS, D. L. The Digital Transformation Playbook: Rethink Your Business for the Digital Age. New York: Columbia University Press, 2016.

    SACKS, R. et al. BIM Handbook: A Guide to Building Information Modeling for Owners, Project Managers, Designers, Engineers and Contractors. 3. ed. Hoboken: John Wiley & Sons, 2018.

    VOLK, R.; STENGEL, J.; SCHULTMANN, F. Building Information Modeling (BIM) for existing buildings — Literature review and future needs. Automation in Construction.

     

     

    ]]>
    Biobunker: Descarbonização do Transporte Marítimo https://a1.com.br/2026/05/12/biobunker-descarbonizacao-do-transporte-maritimo/ Tue, 12 May 2026 17:18:39 +0000 https://a1.com.br/?p=2668

     

    1. Introdução

    O transporte marítimo internacional é responsável por mais de 80 % do comércio global em volume e constitui um dos pilares logísticos da economia mundial. Historicamente, esse setor baseou-se quase exclusivamente no uso de combustíveis fósseis derivados do petróleo, em especial aqueles caracterizados por elevada densidade energética e baixo custo relativo (IMO, 2023).

    O principal combustível utilizado é o óleo combustível pesado (Heavy Fuel Oil – HFO), um resíduo do refino do petróleo de alta viscosidade e elevado teor de enxofre. Apesar de economicamente vantajoso, o HFO apresenta elevados impactos ambientais, como óxidos de nitrogênio (NOₓ), óxidos de enxofre (SOₓ) e material particulado (SMITH et al., 2015).

    O termo biobunker refere-se ao combustível marítimo formulado pela mistura de biocombustíveis líquidos renováveis ao bunker fóssil tradicional, com o objetivo de reduzir a intensidade de carbono sem exigir alterações significativas nos motores ou na infraestrutura de abastecimento dos navios (HEDGEPOINT, 2024). Diferentemente de combustíveis alternativos como amônia, hidrogênio ou metanol, o biobunker enquadra-se na categoria de solução drop-in, permitindo sua utilização imediata em motores diesel marítimos existentes, desde que respeitados limites técnicos de mistura e especificações normativas (LLOYD’S REGISTER, 2023).

    1. Opções de biocombustíveis utilizados como biobunker

    Diversos biocombustíveis líquidos vêm sendo avaliados para aplicação no setor marítimo, destacando-se o biodiesel do tipo FAME (Fatty Acid Methyl Ester) e HVO (Hydrotreated Vegetable Oil). O FAME é o “biodiesel” comum (1ª geração) com menor estabilidade a longo prazo. O HVO é um diesel renovável (2ª geração) que oferece maior estabilidade, desempenho superior, zero de enxofre e aromáticos.

    2.1 Biodiesel (FAME)

    O biodiesel, quimicamente classificado como ésteres metílicos de ácidos graxos (FAME), é produzido por meio da transesterificação de óleos vegetais ou gorduras animais. Esse combustível já é amplamente utilizado em misturas com diesel rodoviário e vem sendo testado em aplicações marítimas em proporções crescentes. Ensaios conduzidos em embarcações comerciais demonstraram viabilidade técnica para misturas de até 24 % de biodiesel (B24) no bunker marítimo, sem impactos relevantes na operação dos motores ou nos sistemas de abastecimento (PETROBRAS, 2024).

     

    2.2 HVO como biobunker

    O HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), também conhecido como diesel renovável, é produzido por meio do hidrotratamento de óleos vegetais e gorduras animais, resultando em um combustível parafínico com propriedades físico-químicas muito semelhantes às do diesel fóssil (ALSULAIMAN, 2025).

    Diferentemente do biodiesel FAME, o HVO não contém oxigênio em sua estrutura molecular, apresentando maior estabilidade oxidativa, melhor comportamento a baixas temperaturas e maior número de cetano (ALSULAIMAN, 2025).

    Essas características tornam o HVO especialmente atrativo como biobunker, pois ele pode ser utilizado em qualquer proporção, inclusive até 100 %, em motores diesel marítimos existentes, sem necessidade de modificações técnicas (DNV, 2022).

    1. Contribuição do transporte marítimo para o aquecimento global

    O setor marítimo responde por aproximadamente 840 milhões de toneladas de CO₂ por ano, o que equivale a cerca de 2,5 a 3 % das emissões globais de gases de efeito estufa (IMO, 2020).

    Além do CO₂, o uso de combustíveis marítimos fósseis resulta em emissões expressivas de SOₓ e NOₓ, que impactam diretamente a qualidade do ar em regiões costeiras e portuárias, com efeitos negativos sobre a saúde humana e os ecossistemas (SMITH et al., 2015).

    3.1 O que tem sido feito?

    A Organização Marítima Internacional estabeleceu metas de redução de emissões, incluindo a diminuição de pelo menos 40 % da intensidade de carbono até 2030. (IMO, 2023) Essa meta cria um ambiente regulatório favorável à adoção de biocombustíveis.

    3.2 Benefícios ambientais do biobunker

    A principal vantagem do biobunker está associada à redução das emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do combustível. Dependendo da matéria-prima e da rota tecnológica utilizada, biocombustíveis podem proporcionar reduções de 60 % a 90 % nas emissões de CO₂ equivalente, quando comparados aos combustíveis fósseis tradicionais (DNV, 2022).

    No caso de misturas como B24, estudos indicam reduções de emissões da ordem de 15 % a 20 % em base well-to-wake, sem alterações operacionais relevantes (PETROBRAS, 2024).

    O HVO, quando produzido a partir de resíduos e matérias-primas de segunda geração, pode alcançar reduções superiores a 85% nas emissões de GEE, além de eliminar praticamente as emissões de SOₓ e reduzir significativamente material particulado e monóxido de carbono (ALSULAIMAN, 2025).

    1. Principais matérias-primas utilizadas

    As matérias-primas utilizadas na produção de biobunker incluem:

    • Óleos vegetais: soja, canola, palma e outras oleaginosas, amplamente utilizados na produção de biodiesel e HVO (EPE, 2023);
    • Óleos residuais e gorduras animais: óleo de cozinha usado, sebo bovino e gorduras industriais, classificados como matérias-primas de segunda geração, com menor impacto indireto sobre o uso da terra (DNV, 2022);
    • Resíduos agroindustriais, que contribuem para a economia circular e melhoria do balanço ambiental do combustível.

    A sustentabilidade dessas matérias-primas depende de sistemas robustos de certificação e rastreabilidade, como ISCC e similares, garantindo efetiva redução de emissões e evitando impactos socioambientais negativos.

    1. Considerações finais

    O biobunker surge como uma solução tecnicamente viável e ambientalmente eficaz para a descarbonização progressiva do transporte marítimo. Sua capacidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa, aliada à compatibilidade com motores e infraestrutura existentes, confere ao biobunker um papel central na transição energética do setor.

    Embora desafios relacionados à escala de produção, aos custos e à disponibilidade de matérias-primas persistam, o biobunker representa uma alternativa imediata e realista frente às metas climáticas globais, especialmente quando associado a biocombustíveis avançados como o HVO.

     

    1. Referências bibliográficas

    DNV. Maritime forecast to 2050: energy transition outlook. Høvik: DNV, 2022.

    EPE – EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA. Descarbonização do transporte aquaviário. Brasília: EPE, 2023.

    HEDGEPOINT GLOBAL MARKETS. O potencial do mercado de biobunker. Campinas, 2024 Disponível: < https://hedgepointglobal.com/pt-br/blog/mercado-de-biobunker#:~:text=e%20de%20passageiros.-,Hedgepoint%20Global%20Markets,Boa%20leitura!> Acesso: 18/02/2026

    IMO – INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION. IMO strategy on reduction of GHG emissions from ships. Londres: IMO, 2023. Disponível: <https://www.imo.org/en/ourwork/environment/pages/2023-imo-strategy-on-reduction-of-ghg-emissions-from-ships.aspx> Acesso: 30/01/2026

    IMO – INTERNATIONAL MARITIME ORGANIZATION. IMO Interim Guidance on the Carriage of Blends of Biofuels and Marpol Annex I Cargoes By Conventional Bunker Ships. Circ 917, Londres: IMO, 2025. Disponível:

    ALSULAIMAN, A.; RIBEIRO, G. C.; BRITO, T.; CAPAZ, R.; SEABRA, J. Drop In Decarbonization: Techno‑Economic Benchmarks, Hydrogen Needs, and Policy Design of SAF and Renewable Diesel The Oxford Institute for Energy Studies, Oxford, 2025

    PETROBRAS. Teste de biobunker com 24 % de biodiesel em embarcações comerciais. Rio de Janeiro: Petrobras, 2024. Disponível: < https://agencia.petrobras.com.br/w/sustentabilidade/petrobras-testa-combustivel-maritimo-com-24-de-conteudo-renovavel:> Acesso: 18/02/2026

    SMITH, T. W. P. et al. Third IMO GHG study 2014. Londres: IMO, 2015. Disponível: <https://www.imo.org/en/ourwork/environment/pages/greenhouse-gas-studies-2014.aspx> Acesso: 30/01/2026

     

    ]]>
    Participação da A1 Engenharia, empresa do Grupo A1, na Hannover Messe 2026 https://a1.com.br/2026/04/23/pa/ Thu, 23 Apr 2026 15:52:40 +0000 https://a1.com.br/?p=2598

    A participação na Hannover Messe, realizada em Hannover, na Alemanha, reforçou o posicionamento da A1 Engenharia, empresa do Grupo A1, como uma organização conectada ao que há de mais avançado no cenário industrial global. O evento ocorreu entre os dias 20 e 24 de abril.

    Representando a A1 Engenharia, dois profissionais estratégicos estiveram presentes na feira: Nilson Cunha e Diego Cordeiro, que acompanharam de perto as principais inovações em Elétrica, Instrumentação e Automação.

    Reconhecida como uma das maiores feiras industriais do mundo, a Hannover Messe reuniu tecnologias que estão transformando a indústria, com destaque para digitalização, integração de sistemas, inteligência artificial e soluções voltadas à eficiência energética e descarbonização. Neste ano, com o Brasil como país parceiro, o evento ganhou ainda mais relevância para o fortalecimento das conexões entre inovação global e o desenvolvimento industrial nacional.

    Para Nilson Cunha, a presença no evento representou uma oportunidade estratégica de atualização e visão de futuro:
    “Estar na Hannover Messe, do primeiro dia ao encerramento, nos permitiu acompanhar de forma contínua as principais evoluções tecnológicas que impactam diretamente a área de E&IA. Mais do que observar tendências, saímos com direcionamentos claros para aplicar inovação de forma prática e estratégica nos projetos que desenvolvemos no Brasil.”

    Já Diego Cordeiro destacou a importância da imersão tecnológica e do networking internacional:
    “A feira proporciona uma visão prática das inovações em sistemas elétricos e automação, além de abrir espaço para conexões com players globais. Isso fortalece nossa capacidade de trazer soluções mais eficientes, seguras e alinhadas às demandas atuais da indústria.”

    A participação da A1 Engenharia na Hannover Messe também contou com o apoio da Siemens, que convidou a empresa para integrar essa experiência global, um reconhecimento que reforça o alinhamento do Grupo A1 com iniciativas que impulsionam inovação e soluções industriais conectadas ao cenário internacional.

    Seguimos avançando, conectados ao que há de mais relevante no mundo, transformando conhecimento em soluções e gerando valor real para nossos clientes e para a indústria brasileira.

    ]]>
    SAF: Tecnologias, Matérias-Primas e Papel Estratégico na Descarbonização do Setor Aéreo https://a1.com.br/2026/04/15/saf-tecnologias-materias-primas-e-papel-estrategico-na-descarbonizacao-do-setor-aereo/ Wed, 15 Apr 2026 18:29:33 +0000 https://a1.com.br/?p=2590
    1. Introdução:

    O Combustível Sustentável de Aviação (SAF – Sustainable Aviation Fuel) refere-se a combustíveis líquidos produzidos a partir de matérias-primas renováveis, capazes de substituir parcial ou totalmente o querosene de aviação de origem fóssil (Jet A-1). A principal característica técnica do SAF é sua condição de combustível “drop-in”, ou seja, ele pode ser utilizado em aeronaves comerciais existentes sem necessidade de modificações nos motores, sistemas de combustível ou na infraestrutura aeroportuária (EASA, 2025).

    Essa compatibilidade é possível porque, após o processamento, o SAF apresenta propriedades físico-químicas semelhantes às do Jet A-1 e atende às especificações estabelecidas pela norma ASTM D7566. Atualmente, o SAF pode ser misturado ao querosene convencional em proporções autorizadas de até 50%, mantendo padrões de desempenho, segurança operacional e confiabilidade equivalentes ao combustível fóssil (ASTM, 2023).

    Diferentemente de outras soluções de descarbonização ainda em desenvolvimento, como aeronaves elétricas ou movidas a hidrogênio, o SAF representa uma alternativa imediata e escalável, sendo considerado hoje o principal vetor de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) no setor aéreo.

    1. Benefícios ambientais comparados ao querosene

    O setor de aviação é responsável por aproximadamente 2,5% a 3% das emissões globais de CO₂, com participação ainda maior quando considerados os efeitos climáticos não-CO₂, como a formação de esteiras de condensação (contrails persistentes) (ICAO, 2011). O SAF se destaca por oferecer reduções expressivas de emissões ao longo de todo o ciclo de vida do combustível.

    Um estudo conduzido pela EASA indica que o uso do SAF pode proporcionar reduções de até 91% nas emissões de GEE (EASA, 2025). A redução depende do processo adotado na obtenção do SAF, as reduções potenciais ultrapassam 90%, quando que o hidrogênio é produzido com eletricidade renovável e o CO₂ é capturado de fontes biogênicas ou diretamente da atmosfera (IEA, 2022).

    Além da mitigação direta das emissões de carbono, o SAF apresenta benefícios adicionais: menor teor de compostos aromáticos e enxofre, além de emitir menos material particulado, resultando em combustão mais limpa (CHOOOSE, 2024). Reduções nas emissões de material particulado fino e fuligem contribuem para a diminuição da formação de contrails persistentes, responsáveis por parcela significativa do efeito radiativo da aviação no aquecimento global (ICAO, 2011). Esses efeitos tornam o SAF uma solução relevante não apenas para o controle do CO₂, mas também para a mitigação do impacto climático total do transporte aéreo.

    1. O papel do SAF no contexto do CORSIA

    O CORSIA (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation), criado pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), é o principal mecanismo global para controlar o crescimento das emissões de CO₂ da aviação internacional. O programa estabelece que as emissões acima dos níveis de referência devem ser compensadas por meio de créditos de carbono ou pela adoção de combustíveis sustentáveis elegíveis (ICAO, 2019).

    O SAF desempenha um papel estratégico porque reduz as emissões diretamente na fonte, diminuindo a necessidade de compensações externas. De acordo com as regras do CORSIA, apenas combustíveis que atendam a critérios rigorosos de sustentabilidade e que comprovem reduções mínimas de 10% nas emissões de GEE ao longo do ciclo de vida podem ser considerados elegíveis, sendo que o SAF aprovado normalmente supera amplamente esse limite (ICAO, 2023).

    Atualmente o SAF custa mais que o querosene de origem fóssil. (IEA, 2024) Contudo, no Brasil o uso de SAF pode ser mais eficiente, economicamente, do que a compra contínua de créditos de carbono, especialmente à medida que os preços desses créditos aumentam e o endurecimento de mandatos regulatórios globais (EPE, 2025). Assim, o SAF não apenas contribui para o cumprimento do CORSIA, mas também reduz riscos regulatórios e financeiros para companhias aéreas.

    1. Matérias-primas utilizadas na produção de SAF

    A sustentabilidade do SAF está diretamente relacionada às matérias-primas utilizadas em sua produção. As principais categorias incluem:

    4.1 Óleos e gorduras

    Os óleos vegetais, as gorduras animais e o óleo de cozinha usado constituem atualmente as principais matérias-primas empregadas na produção de SAF. Esses insumos apresentam alta densidade energética e são compatíveis com rotas tecnológicas maduras, como a HEFA.(ASTM, 2023) No entanto, a disponibilidade global é limitada e insuficiente para atender à demanda total de combustível da aviação, (IEA, 2025) o que reforça a importância de diversificar as fontes de biomassa. Nesse contexto, iniciativas como o projeto da Acelen Renováveis — que desenvolve uma nova fonte de gordura vegetal — representa uma alternativa promissora para ampliar a oferta sustentável de matérias-primas. (ACELEN, 2026)

    4.2 Biomassa lignocelulósica

    Resíduos agrícolas e florestais, como palha, bagaço de cana-de-açúcar e resíduos de madeira, apresentam grande potencial devido à ampla disponibilidade global. O Brasil, por exemplo, gera mais de 200 milhões de toneladas anuais de resíduos lignocelulósicos, o que representa uma base significativa para a produção de SAF de resíduos orgânicos (EPE, 2024). Para uso dessa matéria prima, a biomassa lignocelulósica passa por tratamentos complexos para converter sua estrutura rígida em açúcares fermentáveis ou gás de síntese.

    4.3 CO₂ capturado e hidrogênio renovável

    Rotas baseadas em CO₂ capturado e hidrogênio verde representam uma alternativa de longo prazo com elevado potencial de escala. Essas rotas permitem desacoplar a produção de SAF da disponibilidade de biomassa, embora ainda apresentem custos elevados e desafios tecnológicos (IEA, 2024).

    1. Principais rotas tecnológicas de produção de SAF

    5.1 HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids)

    A rota HEFA Utiliza óleos vegetais (soja, milho, palma, óleos de cozinha usados, gordura animal e resíduos de gorduras). Processo Químico envolve a hidrogenação (uso de hidrogênio) para remover o oxigênio da biomassa, seguida de processos para ajustar as moléculas às especificações do combustível de jato. Sua principal vantagem é a maturidade tecnológica por ser quimicamente quase idêntico ao querosene convencional; entretanto, a limitação está associada à disponibilidade de matérias-primas.

    5.2 Fischer-Tropsch (FT)

    A rota FT é o processo que converte matérias-primas ricas em carbono — como biomassa, resíduos sólidos urbanos ou CO₂ capturado em gás de síntese (H₂ + CO) e, em seguida, em hidrocarbonetos sintéticos.  Baseia-se na gasificação de biomassa ou resíduos para produção de gás de síntese, seguido de síntese catalítica. Essa tecnologia permite maior flexibilidade de insumos, mas possui menor maturidade tecnológica.

     5.3 Alcohol-to-Jet (AtJ)

    A tecnologia AtJ converte álcoois, principalmente etanol e isobutanol, em Combustível Sustentável de Aviação (SAF) por meio de desidratação, oligomerização, hidrogenação e separação. A conversão de álcoois em combustível de aviação representa uma alternativa interessante, especialmente em países com forte produção de etanol, como o Brasil e os Estados Unidos. A rota AtJ ainda está em fase de consolidação comercial, mas apresenta bom potencial de integração com cadeias existentes. (PETROBRAS, 2025)

    5.4 Power-to-Liquid (PtL)

    A rota PtL é considerada a mais promissora em termos de neutralidade climática, é um combustível sintético produzido a partir de eletricidade renovável (solar/eólica), água e CO₂ capturado. Utiliza eletrólise para criar hidrogênio verde, combinado com CO₂. O principal obstáculo atual é o alto custo de produção

    1. Conclusão

    O Combustível Sustentável de Aviação constitui hoje a principal solução disponível em larga escala para a redução das emissões do setor aéreo. Sua compatibilidade com aeronaves existentes, aliada a reduções significativas de emissões de GEE e benefícios ambientais adicionais, posiciona o SAF como elemento central das estratégias de descarbonização e de atendimento a mecanismos regulatórios como o CORSIA.

    Apesar de seu potencial, a produção global de SAF ainda é limitada. Em 2025, a produção mundial foi estimada em cerca de 2,7 bilhões de litros, (IATA, 2025) o que corresponde a menos de 1% do consumo total de combustível da aviação para atingir metas de neutralidade climática até 2050. Ou seja, será necessário ampliar essa produção para dezenas de bilhões de litros anuais.

    A A1 Engenharia atua de forma estratégica ao lado de clientes e parceiros na implementação de plantas de óleos vegetais e unidades de produção de SAF. Combinamos experiência consolidada em tecnologias maduras com capacidade de desenvolver soluções inovadoras, desde a etapa de planta piloto até o scale-up e a operação em larga escala. Nosso compromisso é transformar conceitos em projetos robustos, eficientes e preparados para atender às exigências crescentes da transição energética.

     

    Referências bibliográficas (ABNT)

    ACELEN. A nova era dos combustíveis renováveis. Website disponível < https://www.acelenrenovaveis.com.br/> Acesso: 27/01/2026

    ASTM. ASTM D7566 – Standard Specification for Aviation Turbine Fuel Containing Synthesized Hydrocarbons. West Conshohocken, 2023.

    CHOOSE Taking flight with sustainable aviation fuel: Benefits and considerations. Website. Atlanta, 2024. Disponível: <https://www.chooose.today/resources/learning-resources/benefits-and-considerations-of-sustainable-aviation-fuel>

    EASA (European Union Aviation Safety Agency). ReFuelEU Aviation Annual Technical Report. EASA Report, 2025.

    EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Combustíveis sustentáveis de aviação no Brasil e sinergia com o diesel verde. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética, 2025. Disponível: <https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/combustiveis-sustentaveis-de-aviacao-no-brasil-e-sinergia-com-o-diesel-verde> acesso: 19/01/2026

    EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Sustainable aviation fuels in Brazil future perspectives. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética, 2024. Disponível: < https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-839/Excecutive%20Summary%20-%20SAF.pdf> acesso: 19/01/2026

    IATA (International Air Transport Association). Disappointingly Slow Growth in SAF Production. Artigo de website <https://www.iata.org/en/pressroom/2024-releases/2024-12-10-03/> Acesso: 27/01/2026

    ICAO (International Civil Aviation Organization) . Sustainable Way for Alternative Fuels and Energy In Aviation (SWAFEA) European Union, 2011. Disponível: <https://www.icao.int/SAF/stakeholder-action-groups-projects-sustainable-way-alternative-fuels-and-energy-aviation-swafea>

    ICAO (International Civil Aviation Organization). CORSIA Sustainability Criteria for SAF. Montreal: International Civil Aviation Organization, 2023.

    IEA (International Energy Agency). Delivering Sustainable Fuels. IEA, 2025. Disponível: <https://www.iea.org/reports/delivering-sustainable-fuels/executive-summary> Acesso: 16/01/2026

    PETROBRAS. SAF: veja como investimos em tecnologia rumo ao futuro dos combustíveis sustentáveis. Artigo de website. Disponível:< https://nossaenergia.petrobras.com.br/w/transicao-energetica/saf-veja-como-investimos-em-tecnologia-rumo-ao-futuro-dos-combustiveis-sustentaveis> Acesso 27/01/2026

     

     

     

    ]]>
    Nosso CCPA1 – Centro de Controle, Proteção e Automação está preparado para realizar testes em relés de proteção, validação de sistemas de controle e desenvolvimento de soluções completas em automação industrial https://a1.com.br/2026/04/01/nosso-ccpa1-centro-de-controle-protecao-e-automacao-esta-preparado-para-realizar-testes-em-reles-de-protecao-validacao-de-sistemas-de-controle-e-desenvolvimento-de-solucoes-completas-em-au/ Wed, 01 Apr 2026 20:08:26 +0000 https://a1.com.br/?p=2572

    Na disciplina elétrica, executamos, em nossa giga de testes, a verificação completa dos sistemas de proteção, lógica e intertravamentos. Utilizamos equipamentos específicos aliados aos softwares de parametrização de cada fabricante de relé, garantindo precisão e confiabilidade em cada etapa.

    Esses ensaios têm como objetivo assegurar o correto funcionamento das funções de proteção, bem como validar a atuação coordenada e seletiva entre os diversos dispositivos do sistema elétrico, fatores essenciais para a segurança e a confiabilidade operacional da instalação.

    Além disso, a realização dos testes em ambiente controlado permite antecipar possíveis inconsistências de lógica, parametrização ou comunicação entre equipamentos, reduzindo riscos no comissionamento em campo e contribuindo para uma entrada em operação mais ágil e eficiente.

    Na automação, vamos além da implementação.

    Utilizamos simuladores de processo e controle para o desenvolvimento de gêmeos digitais, desde ilhas até plantas completas. Essa abordagem permite validar estratégias, antecipar cenários e realizar comissionamento virtual com alto nível de assertividade.

    Com isso, otimizamos malhas de controle, aumentamos a estabilidade operacional e extraímos o máximo desempenho dos sistemas, gerando ganhos reais de eficiência e redução de perdas.

    Atuamos tanto em projetos novos quanto, principalmente, na modernização de plantas industriais com sistemas legados, elevando o nível de automação com mínima intervenção.

     

    Engenharia orientada a dados, desempenho e resultado.

     

    Quer evoluir a performance da sua planta? Vamos conversar.

     

    #AutomaçãoIndustrial #ControleDeProcesso #DigitalTwin #Engenharia #Indústria #Inovação #PLC #SDCD #Relés #Proteção #SistemasLegados

    ]]>
    Bioetanol: Tecnologia e a Evolução do Setor no Brasil e no Mundo https://a1.com.br/2026/03/13/bioetanol-tecnologia-e-a-evolucao-do-setor-no-brasil-e-no-mundo/ Fri, 13 Mar 2026 13:31:01 +0000 https://a1.com.br/?p=2529
    1. Introdução

    O bioetanol é um biocombustível líquido renovável obtido, majoritariamente, a partir da fermentação de açúcares presentes em matérias-primas agrícolas. Com a crescente pressão redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), o etanol é um protagonista na transição energética como alternativa renovável no transporte rodoviário. Seu uso como combustível automotivo representa uma das mais bem-sucedidas experiências de substituição parcial de combustíveis fósseis no setor de transportes, especialmente no Brasil. Ao longo das últimas décadas, o bioetanol passou por ciclos de expansão, crise, inovação tecnológica e diversificação de matérias-primas, consolidando-se como um pilar da transição energética em diversos países.

    1. Origem do uso do etanol como combustível

    O uso do etanol como combustível automotivo remonta ao início do século XX, quando motores de combustão interna foram desenvolvidos para operar com álcool, gasolina ou misturas de ambos — como no caso inicial pensado por Henry Ford no Modelo T da Ford Motor Company (FORD MEDIA CENTER, 2025). No entanto, a Lei Seca nos EUA, o fechamento de destilarias e a consolidação da indústria petrolífera, associada ao baixo custo do petróleo ao longo do século XX, atrapalharam o desenvolvimento do projeto, que acabou sendo deixado de lado, até o ressurgimento em grandes programas governamentais nas décadas seguintes.

    O Pró-Álcool, lançado no Brasil em 1975, em resposta à primeira crise do petróleo (1973), contou com apoio governamental em financiamento, garantias e políticas de preço, estimulando a instalação de usinas e a produção de veículos movidos a álcool. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, o Brasil consolidou uma cadeia produtiva robusta, com milhões de veículos movidos exclusivamente a álcool e uma infraestrutura de distribuição nacional. O setor viveu ciclos de crise, especialmente nas décadas de 1990 e início de 2000, associados à queda nos preços do petróleo, redução de incentivos e instabilidades no mercado. Esses eventos levaram a um recuo na participação do etanol em algumas fases. A virada decisiva ocorreu em 2003 com a introdução dos veículos flex-fuel — capazes de operar com qualquer proporção de etanol e gasolina. Essa tecnologia eliminou o risco de desabastecimento percebido pelos motoristas e impulsionou a demanda por etanol, criando uma frota majoritariamente flex e fortalecendo o consumo interno do biocombustível. (ANFAVEA, 2025)

    1. A expansão recente: etanol de milho no Brasil

    No Brasil, a produção de etanol de milho ganhou relevância a partir da década de 2010 como um complemento à tradicional produção de cana-de-açúcar. Em 2024, o país produziu cerca de 34,96 bilhões de litros de etanol, dos quais 8,2 bilhões de litros eram derivados de milho, refletindo um crescimento de cerca de 32,8% em relação ao ano anterior. Fatores que impulsionaram essa rota incluem a alta disponibilidade de milho safrinha; logística desfavorável para exportação do grão; e o uso do etanol de milho para produção durante a entressafra da cana. Atualmente, diversas plantas operam de forma flexível ou dedicada, complementando a produção nacional de etanol.

    1. Processo industrial de produção de etanol

    Os processos de produção de etanol de cana-de-açúcar e milho usam a fermentação como base do processo. As características, semelhanças e principais diferenças estão listadas na tabela a seguir:

    1. Considerações finais

    A produção de etanol movimenta cadeias produtivas extensas — desde insumos (adubos, máquinas) até transporte e distribuição de combustíveis. A expansão do etanol de milho no Brasil adiciona valor à produção agrícola local e contribui para a utilização plena de capacidade industrial durante a entressafra da cana.

    O bioetanol é um componente central da matriz energética renovável em países como Brasil e Estados Unidos, sendo um agente de redução de emissões de GEE, impulsionador de economia rural e instrumento de segurança energética. A diversificação de matérias-primas — da cana-de-açúcar tradicional ao milho no Brasil e milho nos EUA — amplia a resiliência do setor diante de ciclos econômicos e safras.

    A trajetória histórica, os métodos industriais e os impactos socioeconômicos do etanol demonstram sua importância tanto em termos energéticos quanto ambientais, configurando-o como um biocombustível estratégico para as próximas décadas.

    A A1 Engenharia é referência na concepção e execução de projetos para o setor de biocombustíveis. Nossa expertise abrange desde a otimização de processos em unidades flex de etanol de cana-de-açúcar até a implantação completa de plantas dedicadas à produção de etanol de milho. Já elaboramos o projeto de mais de cinco unidades produtoras, contamos com uma equipe multidisciplinar — englobando processos, civil, mecânica, elétrica e instrumentação — preparada para entregar soluções integradas, do projeto conceitual ao detalhamento final, garantindo eficiência, inovação e competitividade para nossos clientes

    1. Referências bibliográficas

    Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA). Anuário da Indústria Automobilística Brasileira. São Paulo, 2025.

    Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Painel dinâmico produção de etanol. Disponível em <https://www.gov.br/anp/pt-br/centrais-de-conteudo/paineis-dinamicos-da-anp/paineis-e-mapa-dinamicos-de-produtores-de-combustiveis-e-derivados/painel-dinamico-de-produtores-de-etanol> Acesso em 14/01/2026

    EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis. Brasília, 2023. Disponível em < https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/analise-de-conjuntura-dos-biocombustiveis-2023> Acesso em 13/01/2026

    FORD MEDIA CENTER. O Modelo T de Henry Ford movido a batatas. Brasil, 2025 Disponível em: <https://media.ford.com/content/fordmedia/fsa/br/pt/news/2025/11/o-modelo-t-de-henry-ford-movido-a-batatas.html> Acesso em 12/01/2026

    NEDER, V.  Produção de etanol de milho dispara e deve superar 25% do total em 2025, diz Unem. Notícia Nova Cana.

    ]]>
    Biodiesel: Solução Brasileira para Descarbonização e Inclusão Econômica https://a1.com.br/2026/02/13/biodiesel-solucao-brasileira-para-descarbonizacao-e-inclusao-economica/ Fri, 13 Feb 2026 13:45:04 +0000 https://a1.com.br/?p=2476

    A busca global por alternativas sustentáveis aos combustíveis fósseis tem colocado o biodiesel como protagonista na descarbonização do setor de transportes. No Brasil, o biodiesel ocupa papel estratégico na matriz energética. Além de reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE), sua cadeia produtiva gera empregos e amplia a arrecadação tributária, fortalecendo a economia nacional.

    Este artigo apresenta uma análise técnica do biodiesel de soja, abordando o processo de produção por transesterificação, impacto ambiental e social com o de emissões evitadas, empregos gerados e arrecadação de tributos, além de discutir os limites de mistura e o uso de biodiesel puro em motores dedicados.

    1. Processo de Produção do Biodiesel: Transesterificação

    A principal rota tecnológica para a produção de biodiesel é a transesterificação alcalina, na qual os triglicerídeos de óleo vegetal de origem renovável reagem com um álcool de cadeia curta — usualmente metanol — na presença de um catalisador básico. A Figura 1 mostra um diagrama simplificação das operações unitárias principais envolvidas no processo de produção de biodiesel.

    Figura 1 – Processo de produção de biodiesel

    O óleo de soja, obtido pelo esmagamento do grão e extração por solvente, é a principal matéria prima usada na produção de biodiesel. Em 2024, o Brasil produziu 9,1 bilhões de litros de biodiesel, dos quais 65 a 75% do volume total produzido tiveram origem no óleo de soja (ANP, 2024).

    Embora a soja seja a principal fonte outras fontes de óleos vegetas como palma, macaúba, sebo de boi e mesmo o óleo de cozinha usado possuem características que permite ser transformado em biodiesel. Os óleos vegetais são compostos por triglicerídeos com predominância de ácidos graxos. O biodiesel produzido consiste em ésteres metílicos de ácidos graxos e glicerina como coproduto (cerca de 10% em massa) (KNOTHE et al., 2005).

    1. Comparação Molecular entre Biodiesel e Diesel Fóssil

    A molécula do biodiesel difere do diesel fóssil por conter oxigênio (~10%), grupo funcional éster, enquanto o diesel é uma mistura de hidrocarbonetos (C e H) sem oxigênio. A presença de oxigênio favorece combustão mais completa, reduzindo material particulado, CO e composto orgânico volátil (COV). (KNOTHE et al., 2005). A tabela a seguir elenca mais algumas diferenças entre os dois produtos.

    1. Impactos Ambientais 

    Estudos de ciclo de vida indicam reduções de 68 a 72% nas emissões de CO₂ equivalente em relação ao diesel fóssil (CERRI et al., 2017). Essa variação leva em conta diferentes processos de produção de soja,  processamento e logística até a distribuição do biodiesel.

    De forma quantitativa:

    • A queima de 1 m³ de diesel fóssil emite aproximadamente 3,2 t de CO₂ equivalente; (CARVALHO, 2011)
    • A queima de 1 m³ de biodiesel B100 emite entre 0,55 a 0,88t de CO₂ equivalente; (CERRI et al., 2017)
     

    1. Impactos Econômicos e Sociais

    A cadeia produtiva do biodiesel de soja é intensiva em mão de obra e amplamente distribuída territorialmente. Ela inclui:

    • produção agrícola;
    • fornecimento de insumos;
    • esmagamento e refino de óleo;
    • produção industrial de biodiesel;
    • logística e comercialização.

    A cadeia da soja e do biodiesel gerou cerca de 2,3 milhões de empregos no Brasil em 2023, considerando empregos diretos, indiretos e induzidos (SILVA, 2025). Estimativas específicas indicam que a produção de biodiesel gera de 10 vezes mais empregos por unidade de energia produzida do que o diesel fóssil, cuja cadeia é altamente concentrada (Silalertruksa, 2012). Esse efeito multiplicador reforça o papel do biodiesel como instrumento de desenvolvimento regional e interiorização da atividade econômica.

    A cadeia do biodiesel de soja contribui para a arrecadação de tributos em múltiplos níveis, incluindo:

    • ICMS sobre produção agrícola, industrialização e comercialização;
    • PIS e COFINS;
    • Imposto de Renda e contribuições previdenciárias;
      • tributos sobre insumos e serviços logísticos.
    • Ao contrário do diesel fóssil, cuja cadeia está concentrada na extração e refino de petróleo — com parcela relevante associada à importação —, o biodiesel apresenta maior internalização de valor, ampliando a base tributária nacional

      Cada real gerado na cadeia do biodiesel tem efeito multiplicador superior ao do diesel fóssil devido à grande cadeia produtiva, maior dispersão setorial e geográfica da atividade (CEPEA, 2024). Ou seja, o aumento do consumo de biodiesel resulta em um aumento de arrecadação tributária mesmo que alguns benefícios fiscais sejam aplicados ao biodiesel quando comparado ao diesel de origem fóssil.

      5. Mistura de Biodiesel ao Diesel e Limites Técnicos.

     
    • No Brasil, o biodiesel é utilizado principalmente por meio da mistura obrigatória ao diesel fóssil. Em 2024–2025, o país operou com misturas na faixa de B12 a B14, uma das mais elevadas do mundo (ANP, 2024). Do ponto de vista técnico, misturas até B20 são amplamente aceitas por fabricantes de motores modernos; as limitações estão associadas principalmente à estabilidade oxidativa, compatibilidade de materiais e desempenho em baixas temperaturas. A evolução das normas de qualidade do biodiesel e do diesel tem permitido a ampliação segura desses limites.

    O uso de biodiesel puro (B100) é tecnicamente viável em motores especialmente projetados ou adaptados. Esses motores requerem:

    • materiais compatíveis com ésteres;
    • sistemas de injeção calibrados;
    • manutenção adequada para controle de depósitos e oxidação.

    Aplicações como geradores estacionários, máquinas agrícolas e frotas cativas já utilizam B100 com sucesso, demonstrando que o biodiesel pode atuar não apenas como aditivo ao diesel fóssil, mas como combustível principal em sistemas dedicados (KNOTHE et al., 2005).

    Apesar dos avanços, desafios incluem:

    • Estabilidade oxidativa e frio extremo.
    • Diversificação de matérias-primas (óleo de palma, resíduos).
    • Expansão da infraestrutura para B100.
    1. Conclusão

    O biodiesel de soja é uma solução madura e estratégica para reduzir emissões, gerar empregos e fortalecer a economia. Com políticas como o RenovaBio e evolução tecnológica, o Brasil consolida sua liderança na transição energética, conciliando sustentabilidade ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social.

    A A1 Engenharia desenvolve projetos completos para extração do óleo e produção de biodiesel por transesterificação, desde o estudo de viabilidade até o detalhamento executivo. Nossa equipe multidisciplinar (processo, civil, mecânica, elétrica e instrumentação) garante soluções integradas, seguras e economicamente viáveis. Cada projeto é personalizado de acordo com as necessidades de cada cliente, para maximizar eficiência, reduzir custos operacionais e atender às normas técnicas e ambientais vigentes.

    Referências Bibliográficas:

    ANP – AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Rio de Janeiro, 2024. Disponível em:< https://www.gov.br/anp/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/anuario-estatistico/anuario-estatistico-brasileiro-do-petroleo-gas-natural-e-biocombustiveis-2025> Acesso em 18/12/2025

    CEPEA/ABIOV Cadeia da soja e do biodiesel, PIB, empregos e comércio exterior, 2025 disponível em < https://www.cepea.org.br/upload/kceditor/files/Relat%C3%B3rio%20-%20Cadeia%20da%20Soja%20e%20biodiesel%20-%203T2025_1.pdf> acesso 18/12/2025

    CARVALHO, H.R.C. Emissões Relativas de Poluentes do Transporte Motorizado de Passageiros nos Grandes Centros Urbanos Brasileiros. IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Texto para Discussão 1606, Brasília/DF, 2011. Disponível em < https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/1578/1/td_1606.pdf>

    SILVA. R.P. CEPEA – CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA. O mercado de trabalho na cadeia produtiva da soja e do biodiesel no Brasil ESALQ/USP, 2025. Disponível em <https://www.cepea.org.br/br/opiniao-cepea/o-mercado-de-trabalho-na-cadeia-produtiva-da-soja-e-do-biodiesel-no-brasil.aspx>  Acesso em 18/12/2025

    CERRI, C.E.P. et al. Assessing the greenhouse gas emissions of Brazilian Soybean biodiesel production. PLOS ONE, v. 12, n. 5, 2017.

    KNOTHE, G.; VAN GERPEN, J.; KRAHL, J. The Biodiesel Handbook. Illinois: AOCS Press, 2005.

    SILALERTRUKSA T.; Gheewala, S.H.; Hünecke, K; Fritsche, U.R. Biofuels and employment effects: Implications for socio-economic development in Thailand Biomass and Bioenergy, 2012

    SEMOVE disponível em <https://semove.org.br/wp-content/themes/semove/pdf/carbonometro.pdf>

    ]]>