Grupo A1 https://a1.com.br Soluções Personalizadas para a Indústria Wed, 15 Apr 2026 18:40:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://a1.com.br/wp-content/uploads/2025/04/atual-150x150.png Grupo A1 https://a1.com.br 32 32 SAF: Tecnologias, Matérias-Primas e Papel Estratégico na Descarbonização do Setor Aéreo https://a1.com.br/2026/04/15/saf-tecnologias-materias-primas-e-papel-estrategico-na-descarbonizacao-do-setor-aereo/ https://a1.com.br/2026/04/15/saf-tecnologias-materias-primas-e-papel-estrategico-na-descarbonizacao-do-setor-aereo/#respond Wed, 15 Apr 2026 18:29:33 +0000 https://a1.com.br/?p=2590
  1. Introdução:

O Combustível Sustentável de Aviação (SAF – Sustainable Aviation Fuel) refere-se a combustíveis líquidos produzidos a partir de matérias-primas renováveis, capazes de substituir parcial ou totalmente o querosene de aviação de origem fóssil (Jet A-1). A principal característica técnica do SAF é sua condição de combustível “drop-in”, ou seja, ele pode ser utilizado em aeronaves comerciais existentes sem necessidade de modificações nos motores, sistemas de combustível ou na infraestrutura aeroportuária (EASA, 2025).

Essa compatibilidade é possível porque, após o processamento, o SAF apresenta propriedades físico-químicas semelhantes às do Jet A-1 e atende às especificações estabelecidas pela norma ASTM D7566. Atualmente, o SAF pode ser misturado ao querosene convencional em proporções autorizadas de até 50%, mantendo padrões de desempenho, segurança operacional e confiabilidade equivalentes ao combustível fóssil (ASTM, 2023).

Diferentemente de outras soluções de descarbonização ainda em desenvolvimento, como aeronaves elétricas ou movidas a hidrogênio, o SAF representa uma alternativa imediata e escalável, sendo considerado hoje o principal vetor de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) no setor aéreo.

  1. Benefícios ambientais comparados ao querosene

O setor de aviação é responsável por aproximadamente 2,5% a 3% das emissões globais de CO₂, com participação ainda maior quando considerados os efeitos climáticos não-CO₂, como a formação de esteiras de condensação (contrails persistentes) (ICAO, 2011). O SAF se destaca por oferecer reduções expressivas de emissões ao longo de todo o ciclo de vida do combustível.

Um estudo conduzido pela EASA indica que o uso do SAF pode proporcionar reduções de até 91% nas emissões de GEE (EASA, 2025). A redução depende do processo adotado na obtenção do SAF, as reduções potenciais ultrapassam 90%, quando que o hidrogênio é produzido com eletricidade renovável e o CO₂ é capturado de fontes biogênicas ou diretamente da atmosfera (IEA, 2022).

Além da mitigação direta das emissões de carbono, o SAF apresenta benefícios adicionais: menor teor de compostos aromáticos e enxofre, além de emitir menos material particulado, resultando em combustão mais limpa (CHOOOSE, 2024). Reduções nas emissões de material particulado fino e fuligem contribuem para a diminuição da formação de contrails persistentes, responsáveis por parcela significativa do efeito radiativo da aviação no aquecimento global (ICAO, 2011). Esses efeitos tornam o SAF uma solução relevante não apenas para o controle do CO₂, mas também para a mitigação do impacto climático total do transporte aéreo.

  1. O papel do SAF no contexto do CORSIA

O CORSIA (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation), criado pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), é o principal mecanismo global para controlar o crescimento das emissões de CO₂ da aviação internacional. O programa estabelece que as emissões acima dos níveis de referência devem ser compensadas por meio de créditos de carbono ou pela adoção de combustíveis sustentáveis elegíveis (ICAO, 2019).

O SAF desempenha um papel estratégico porque reduz as emissões diretamente na fonte, diminuindo a necessidade de compensações externas. De acordo com as regras do CORSIA, apenas combustíveis que atendam a critérios rigorosos de sustentabilidade e que comprovem reduções mínimas de 10% nas emissões de GEE ao longo do ciclo de vida podem ser considerados elegíveis, sendo que o SAF aprovado normalmente supera amplamente esse limite (ICAO, 2023).

Atualmente o SAF custa mais que o querosene de origem fóssil. (IEA, 2024) Contudo, no Brasil o uso de SAF pode ser mais eficiente, economicamente, do que a compra contínua de créditos de carbono, especialmente à medida que os preços desses créditos aumentam e o endurecimento de mandatos regulatórios globais (EPE, 2025). Assim, o SAF não apenas contribui para o cumprimento do CORSIA, mas também reduz riscos regulatórios e financeiros para companhias aéreas.

  1. Matérias-primas utilizadas na produção de SAF

A sustentabilidade do SAF está diretamente relacionada às matérias-primas utilizadas em sua produção. As principais categorias incluem:

4.1 Óleos e gorduras

Os óleos vegetais, as gorduras animais e o óleo de cozinha usado constituem atualmente as principais matérias-primas empregadas na produção de SAF. Esses insumos apresentam alta densidade energética e são compatíveis com rotas tecnológicas maduras, como a HEFA.(ASTM, 2023) No entanto, a disponibilidade global é limitada e insuficiente para atender à demanda total de combustível da aviação, (IEA, 2025) o que reforça a importância de diversificar as fontes de biomassa. Nesse contexto, iniciativas como o projeto da Acelen Renováveis — que desenvolve uma nova fonte de gordura vegetal — representa uma alternativa promissora para ampliar a oferta sustentável de matérias-primas. (ACELEN, 2026)

4.2 Biomassa lignocelulósica

Resíduos agrícolas e florestais, como palha, bagaço de cana-de-açúcar e resíduos de madeira, apresentam grande potencial devido à ampla disponibilidade global. O Brasil, por exemplo, gera mais de 200 milhões de toneladas anuais de resíduos lignocelulósicos, o que representa uma base significativa para a produção de SAF de resíduos orgânicos (EPE, 2024). Para uso dessa matéria prima, a biomassa lignocelulósica passa por tratamentos complexos para converter sua estrutura rígida em açúcares fermentáveis ou gás de síntese.

4.3 CO₂ capturado e hidrogênio renovável

Rotas baseadas em CO₂ capturado e hidrogênio verde representam uma alternativa de longo prazo com elevado potencial de escala. Essas rotas permitem desacoplar a produção de SAF da disponibilidade de biomassa, embora ainda apresentem custos elevados e desafios tecnológicos (IEA, 2024).

  1. Principais rotas tecnológicas de produção de SAF

5.1 HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids)

A rota HEFA Utiliza óleos vegetais (soja, milho, palma, óleos de cozinha usados, gordura animal e resíduos de gorduras). Processo Químico envolve a hidrogenação (uso de hidrogênio) para remover o oxigênio da biomassa, seguida de processos para ajustar as moléculas às especificações do combustível de jato. Sua principal vantagem é a maturidade tecnológica por ser quimicamente quase idêntico ao querosene convencional; entretanto, a limitação está associada à disponibilidade de matérias-primas.

5.2 Fischer-Tropsch (FT)

A rota FT é o processo que converte matérias-primas ricas em carbono — como biomassa, resíduos sólidos urbanos ou CO₂ capturado em gás de síntese (H₂ + CO) e, em seguida, em hidrocarbonetos sintéticos.  Baseia-se na gasificação de biomassa ou resíduos para produção de gás de síntese, seguido de síntese catalítica. Essa tecnologia permite maior flexibilidade de insumos, mas possui menor maturidade tecnológica.

 5.3 Alcohol-to-Jet (AtJ)

A tecnologia AtJ converte álcoois, principalmente etanol e isobutanol, em Combustível Sustentável de Aviação (SAF) por meio de desidratação, oligomerização, hidrogenação e separação. A conversão de álcoois em combustível de aviação representa uma alternativa interessante, especialmente em países com forte produção de etanol, como o Brasil e os Estados Unidos. A rota AtJ ainda está em fase de consolidação comercial, mas apresenta bom potencial de integração com cadeias existentes. (PETROBRAS, 2025)

5.4 Power-to-Liquid (PtL)

A rota PtL é considerada a mais promissora em termos de neutralidade climática, é um combustível sintético produzido a partir de eletricidade renovável (solar/eólica), água e CO₂ capturado. Utiliza eletrólise para criar hidrogênio verde, combinado com CO₂. O principal obstáculo atual é o alto custo de produção

  1. Conclusão

O Combustível Sustentável de Aviação constitui hoje a principal solução disponível em larga escala para a redução das emissões do setor aéreo. Sua compatibilidade com aeronaves existentes, aliada a reduções significativas de emissões de GEE e benefícios ambientais adicionais, posiciona o SAF como elemento central das estratégias de descarbonização e de atendimento a mecanismos regulatórios como o CORSIA.

Apesar de seu potencial, a produção global de SAF ainda é limitada. Em 2025, a produção mundial foi estimada em cerca de 2,7 bilhões de litros, (IATA, 2025) o que corresponde a menos de 1% do consumo total de combustível da aviação para atingir metas de neutralidade climática até 2050. Ou seja, será necessário ampliar essa produção para dezenas de bilhões de litros anuais.

A A1 Engenharia atua de forma estratégica ao lado de clientes e parceiros na implementação de plantas de óleos vegetais e unidades de produção de SAF. Combinamos experiência consolidada em tecnologias maduras com capacidade de desenvolver soluções inovadoras, desde a etapa de planta piloto até o scale-up e a operação em larga escala. Nosso compromisso é transformar conceitos em projetos robustos, eficientes e preparados para atender às exigências crescentes da transição energética.

 

Referências bibliográficas (ABNT)

ACELEN. A nova era dos combustíveis renováveis. Website disponível < https://www.acelenrenovaveis.com.br/> Acesso: 27/01/2026

ASTM. ASTM D7566 – Standard Specification for Aviation Turbine Fuel Containing Synthesized Hydrocarbons. West Conshohocken, 2023.

CHOOSE Taking flight with sustainable aviation fuel: Benefits and considerations. Website. Atlanta, 2024. Disponível: <https://www.chooose.today/resources/learning-resources/benefits-and-considerations-of-sustainable-aviation-fuel>

EASA (European Union Aviation Safety Agency). ReFuelEU Aviation Annual Technical Report. EASA Report, 2025.

EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Combustíveis sustentáveis de aviação no Brasil e sinergia com o diesel verde. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética, 2025. Disponível: <https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/combustiveis-sustentaveis-de-aviacao-no-brasil-e-sinergia-com-o-diesel-verde> acesso: 19/01/2026

EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Sustainable aviation fuels in Brazil future perspectives. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética, 2024. Disponível: < https://www.epe.gov.br/sites-pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/PublicacoesArquivos/publicacao-839/Excecutive%20Summary%20-%20SAF.pdf> acesso: 19/01/2026

IATA (International Air Transport Association). Disappointingly Slow Growth in SAF Production. Artigo de website <https://www.iata.org/en/pressroom/2024-releases/2024-12-10-03/> Acesso: 27/01/2026

ICAO (International Civil Aviation Organization) . Sustainable Way for Alternative Fuels and Energy In Aviation (SWAFEA) European Union, 2011. Disponível: <https://www.icao.int/SAF/stakeholder-action-groups-projects-sustainable-way-alternative-fuels-and-energy-aviation-swafea>

ICAO (International Civil Aviation Organization). CORSIA Sustainability Criteria for SAF. Montreal: International Civil Aviation Organization, 2023.

IEA (International Energy Agency). Delivering Sustainable Fuels. IEA, 2025. Disponível: <https://www.iea.org/reports/delivering-sustainable-fuels/executive-summary> Acesso: 16/01/2026

PETROBRAS. SAF: veja como investimos em tecnologia rumo ao futuro dos combustíveis sustentáveis. Artigo de website. Disponível:< https://nossaenergia.petrobras.com.br/w/transicao-energetica/saf-veja-como-investimos-em-tecnologia-rumo-ao-futuro-dos-combustiveis-sustentaveis> Acesso 27/01/2026

 

 

 

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Nosso CCPA1 – Centro de Controle, Proteção e Automação está preparado para realizar testes em relés de proteção, validação de sistemas de controle e desenvolvimento de soluções completas em automação industrial https://a1.com.br/2026/04/01/nosso-ccpa1-centro-de-controle-protecao-e-automacao-esta-preparado-para-realizar-testes-em-reles-de-protecao-validacao-de-sistemas-de-controle-e-desenvolvimento-de-solucoes-completas-em-au/ https://a1.com.br/2026/04/01/nosso-ccpa1-centro-de-controle-protecao-e-automacao-esta-preparado-para-realizar-testes-em-reles-de-protecao-validacao-de-sistemas-de-controle-e-desenvolvimento-de-solucoes-completas-em-au/#respond Wed, 01 Apr 2026 20:08:26 +0000 https://a1.com.br/?p=2572

Na disciplina elétrica, executamos, em nossa giga de testes, a verificação completa dos sistemas de proteção, lógica e intertravamentos. Utilizamos equipamentos específicos aliados aos softwares de parametrização de cada fabricante de relé, garantindo precisão e confiabilidade em cada etapa.

Esses ensaios têm como objetivo assegurar o correto funcionamento das funções de proteção, bem como validar a atuação coordenada e seletiva entre os diversos dispositivos do sistema elétrico, fatores essenciais para a segurança e a confiabilidade operacional da instalação.

Além disso, a realização dos testes em ambiente controlado permite antecipar possíveis inconsistências de lógica, parametrização ou comunicação entre equipamentos, reduzindo riscos no comissionamento em campo e contribuindo para uma entrada em operação mais ágil e eficiente.

Na automação, vamos além da implementação.

Utilizamos simuladores de processo e controle para o desenvolvimento de gêmeos digitais, desde ilhas até plantas completas. Essa abordagem permite validar estratégias, antecipar cenários e realizar comissionamento virtual com alto nível de assertividade.

Com isso, otimizamos malhas de controle, aumentamos a estabilidade operacional e extraímos o máximo desempenho dos sistemas, gerando ganhos reais de eficiência e redução de perdas.

Atuamos tanto em projetos novos quanto, principalmente, na modernização de plantas industriais com sistemas legados, elevando o nível de automação com mínima intervenção.

 

Engenharia orientada a dados, desempenho e resultado.

 

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Bioetanol: Tecnologia e a Evolução do Setor no Brasil e no Mundo https://a1.com.br/2026/03/13/bioetanol-tecnologia-e-a-evolucao-do-setor-no-brasil-e-no-mundo/ https://a1.com.br/2026/03/13/bioetanol-tecnologia-e-a-evolucao-do-setor-no-brasil-e-no-mundo/#respond Fri, 13 Mar 2026 13:31:01 +0000 https://a1.com.br/?p=2529
  1. Introdução

O bioetanol é um biocombustível líquido renovável obtido, majoritariamente, a partir da fermentação de açúcares presentes em matérias-primas agrícolas. Com a crescente pressão redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), o etanol é um protagonista na transição energética como alternativa renovável no transporte rodoviário. Seu uso como combustível automotivo representa uma das mais bem-sucedidas experiências de substituição parcial de combustíveis fósseis no setor de transportes, especialmente no Brasil. Ao longo das últimas décadas, o bioetanol passou por ciclos de expansão, crise, inovação tecnológica e diversificação de matérias-primas, consolidando-se como um pilar da transição energética em diversos países.

  1. Origem do uso do etanol como combustível

O uso do etanol como combustível automotivo remonta ao início do século XX, quando motores de combustão interna foram desenvolvidos para operar com álcool, gasolina ou misturas de ambos — como no caso inicial pensado por Henry Ford no Modelo T da Ford Motor Company (FORD MEDIA CENTER, 2025). No entanto, a Lei Seca nos EUA, o fechamento de destilarias e a consolidação da indústria petrolífera, associada ao baixo custo do petróleo ao longo do século XX, atrapalharam o desenvolvimento do projeto, que acabou sendo deixado de lado, até o ressurgimento em grandes programas governamentais nas décadas seguintes.

O Pró-Álcool, lançado no Brasil em 1975, em resposta à primeira crise do petróleo (1973), contou com apoio governamental em financiamento, garantias e políticas de preço, estimulando a instalação de usinas e a produção de veículos movidos a álcool. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, o Brasil consolidou uma cadeia produtiva robusta, com milhões de veículos movidos exclusivamente a álcool e uma infraestrutura de distribuição nacional. O setor viveu ciclos de crise, especialmente nas décadas de 1990 e início de 2000, associados à queda nos preços do petróleo, redução de incentivos e instabilidades no mercado. Esses eventos levaram a um recuo na participação do etanol em algumas fases. A virada decisiva ocorreu em 2003 com a introdução dos veículos flex-fuel — capazes de operar com qualquer proporção de etanol e gasolina. Essa tecnologia eliminou o risco de desabastecimento percebido pelos motoristas e impulsionou a demanda por etanol, criando uma frota majoritariamente flex e fortalecendo o consumo interno do biocombustível. (ANFAVEA, 2025)

  1. A expansão recente: etanol de milho no Brasil

No Brasil, a produção de etanol de milho ganhou relevância a partir da década de 2010 como um complemento à tradicional produção de cana-de-açúcar. Em 2024, o país produziu cerca de 34,96 bilhões de litros de etanol, dos quais 8,2 bilhões de litros eram derivados de milho, refletindo um crescimento de cerca de 32,8% em relação ao ano anterior. Fatores que impulsionaram essa rota incluem a alta disponibilidade de milho safrinha; logística desfavorável para exportação do grão; e o uso do etanol de milho para produção durante a entressafra da cana. Atualmente, diversas plantas operam de forma flexível ou dedicada, complementando a produção nacional de etanol.

  1. Processo industrial de produção de etanol

Os processos de produção de etanol de cana-de-açúcar e milho usam a fermentação como base do processo. As características, semelhanças e principais diferenças estão listadas na tabela a seguir:

  1. Considerações finais

A produção de etanol movimenta cadeias produtivas extensas — desde insumos (adubos, máquinas) até transporte e distribuição de combustíveis. A expansão do etanol de milho no Brasil adiciona valor à produção agrícola local e contribui para a utilização plena de capacidade industrial durante a entressafra da cana.

O bioetanol é um componente central da matriz energética renovável em países como Brasil e Estados Unidos, sendo um agente de redução de emissões de GEE, impulsionador de economia rural e instrumento de segurança energética. A diversificação de matérias-primas — da cana-de-açúcar tradicional ao milho no Brasil e milho nos EUA — amplia a resiliência do setor diante de ciclos econômicos e safras.

A trajetória histórica, os métodos industriais e os impactos socioeconômicos do etanol demonstram sua importância tanto em termos energéticos quanto ambientais, configurando-o como um biocombustível estratégico para as próximas décadas.

A A1 Engenharia é referência na concepção e execução de projetos para o setor de biocombustíveis. Nossa expertise abrange desde a otimização de processos em unidades flex de etanol de cana-de-açúcar até a implantação completa de plantas dedicadas à produção de etanol de milho. Já elaboramos o projeto de mais de cinco unidades produtoras, contamos com uma equipe multidisciplinar — englobando processos, civil, mecânica, elétrica e instrumentação — preparada para entregar soluções integradas, do projeto conceitual ao detalhamento final, garantindo eficiência, inovação e competitividade para nossos clientes

  1. Referências bibliográficas

Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA). Anuário da Indústria Automobilística Brasileira. São Paulo, 2025.

Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Painel dinâmico produção de etanol. Disponível em <https://www.gov.br/anp/pt-br/centrais-de-conteudo/paineis-dinamicos-da-anp/paineis-e-mapa-dinamicos-de-produtores-de-combustiveis-e-derivados/painel-dinamico-de-produtores-de-etanol> Acesso em 14/01/2026

EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis. Brasília, 2023. Disponível em < https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/analise-de-conjuntura-dos-biocombustiveis-2023> Acesso em 13/01/2026

FORD MEDIA CENTER. O Modelo T de Henry Ford movido a batatas. Brasil, 2025 Disponível em: <https://media.ford.com/content/fordmedia/fsa/br/pt/news/2025/11/o-modelo-t-de-henry-ford-movido-a-batatas.html> Acesso em 12/01/2026

NEDER, V.  Produção de etanol de milho dispara e deve superar 25% do total em 2025, diz Unem. Notícia Nova Cana.

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Biodiesel: Solução Brasileira para Descarbonização e Inclusão Econômica https://a1.com.br/2026/02/13/biodiesel-solucao-brasileira-para-descarbonizacao-e-inclusao-economica/ https://a1.com.br/2026/02/13/biodiesel-solucao-brasileira-para-descarbonizacao-e-inclusao-economica/#respond Fri, 13 Feb 2026 13:45:04 +0000 https://a1.com.br/?p=2476

A busca global por alternativas sustentáveis aos combustíveis fósseis tem colocado o biodiesel como protagonista na descarbonização do setor de transportes. No Brasil, o biodiesel ocupa papel estratégico na matriz energética. Além de reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE), sua cadeia produtiva gera empregos e amplia a arrecadação tributária, fortalecendo a economia nacional.

Este artigo apresenta uma análise técnica do biodiesel de soja, abordando o processo de produção por transesterificação, impacto ambiental e social com o de emissões evitadas, empregos gerados e arrecadação de tributos, além de discutir os limites de mistura e o uso de biodiesel puro em motores dedicados.

  1. Processo de Produção do Biodiesel: Transesterificação

A principal rota tecnológica para a produção de biodiesel é a transesterificação alcalina, na qual os triglicerídeos de óleo vegetal de origem renovável reagem com um álcool de cadeia curta — usualmente metanol — na presença de um catalisador básico. A Figura 1 mostra um diagrama simplificação das operações unitárias principais envolvidas no processo de produção de biodiesel.

Figura 1 – Processo de produção de biodiesel

O óleo de soja, obtido pelo esmagamento do grão e extração por solvente, é a principal matéria prima usada na produção de biodiesel. Em 2024, o Brasil produziu 9,1 bilhões de litros de biodiesel, dos quais 65 a 75% do volume total produzido tiveram origem no óleo de soja (ANP, 2024).

Embora a soja seja a principal fonte outras fontes de óleos vegetas como palma, macaúba, sebo de boi e mesmo o óleo de cozinha usado possuem características que permite ser transformado em biodiesel. Os óleos vegetais são compostos por triglicerídeos com predominância de ácidos graxos. O biodiesel produzido consiste em ésteres metílicos de ácidos graxos e glicerina como coproduto (cerca de 10% em massa) (KNOTHE et al., 2005).

  1. Comparação Molecular entre Biodiesel e Diesel Fóssil

A molécula do biodiesel difere do diesel fóssil por conter oxigênio (~10%), grupo funcional éster, enquanto o diesel é uma mistura de hidrocarbonetos (C e H) sem oxigênio. A presença de oxigênio favorece combustão mais completa, reduzindo material particulado, CO e composto orgânico volátil (COV). (KNOTHE et al., 2005). A tabela a seguir elenca mais algumas diferenças entre os dois produtos.

  1. Impactos Ambientais 

Estudos de ciclo de vida indicam reduções de 68 a 72% nas emissões de CO₂ equivalente em relação ao diesel fóssil (CERRI et al., 2017). Essa variação leva em conta diferentes processos de produção de soja,  processamento e logística até a distribuição do biodiesel.

De forma quantitativa:

  • A queima de 1 m³ de diesel fóssil emite aproximadamente 3,2 t de CO₂ equivalente; (CARVALHO, 2011)
  • A queima de 1 m³ de biodiesel B100 emite entre 0,55 a 0,88t de CO₂ equivalente; (CERRI et al., 2017)
 

  1. Impactos Econômicos e Sociais

A cadeia produtiva do biodiesel de soja é intensiva em mão de obra e amplamente distribuída territorialmente. Ela inclui:

  • produção agrícola;
  • fornecimento de insumos;
  • esmagamento e refino de óleo;
  • produção industrial de biodiesel;
  • logística e comercialização.

A cadeia da soja e do biodiesel gerou cerca de 2,3 milhões de empregos no Brasil em 2023, considerando empregos diretos, indiretos e induzidos (SILVA, 2025). Estimativas específicas indicam que a produção de biodiesel gera de 10 vezes mais empregos por unidade de energia produzida do que o diesel fóssil, cuja cadeia é altamente concentrada (Silalertruksa, 2012). Esse efeito multiplicador reforça o papel do biodiesel como instrumento de desenvolvimento regional e interiorização da atividade econômica.

A cadeia do biodiesel de soja contribui para a arrecadação de tributos em múltiplos níveis, incluindo:

  • ICMS sobre produção agrícola, industrialização e comercialização;
  • PIS e COFINS;
  • Imposto de Renda e contribuições previdenciárias;
    • tributos sobre insumos e serviços logísticos.
  • Ao contrário do diesel fóssil, cuja cadeia está concentrada na extração e refino de petróleo — com parcela relevante associada à importação —, o biodiesel apresenta maior internalização de valor, ampliando a base tributária nacional

    Cada real gerado na cadeia do biodiesel tem efeito multiplicador superior ao do diesel fóssil devido à grande cadeia produtiva, maior dispersão setorial e geográfica da atividade (CEPEA, 2024). Ou seja, o aumento do consumo de biodiesel resulta em um aumento de arrecadação tributária mesmo que alguns benefícios fiscais sejam aplicados ao biodiesel quando comparado ao diesel de origem fóssil.

    5. Mistura de Biodiesel ao Diesel e Limites Técnicos.

 
  • No Brasil, o biodiesel é utilizado principalmente por meio da mistura obrigatória ao diesel fóssil. Em 2024–2025, o país operou com misturas na faixa de B12 a B14, uma das mais elevadas do mundo (ANP, 2024). Do ponto de vista técnico, misturas até B20 são amplamente aceitas por fabricantes de motores modernos; as limitações estão associadas principalmente à estabilidade oxidativa, compatibilidade de materiais e desempenho em baixas temperaturas. A evolução das normas de qualidade do biodiesel e do diesel tem permitido a ampliação segura desses limites.

O uso de biodiesel puro (B100) é tecnicamente viável em motores especialmente projetados ou adaptados. Esses motores requerem:

  • materiais compatíveis com ésteres;
  • sistemas de injeção calibrados;
  • manutenção adequada para controle de depósitos e oxidação.

Aplicações como geradores estacionários, máquinas agrícolas e frotas cativas já utilizam B100 com sucesso, demonstrando que o biodiesel pode atuar não apenas como aditivo ao diesel fóssil, mas como combustível principal em sistemas dedicados (KNOTHE et al., 2005).

Apesar dos avanços, desafios incluem:

  • Estabilidade oxidativa e frio extremo.
  • Diversificação de matérias-primas (óleo de palma, resíduos).
  • Expansão da infraestrutura para B100.
  1. Conclusão

O biodiesel de soja é uma solução madura e estratégica para reduzir emissões, gerar empregos e fortalecer a economia. Com políticas como o RenovaBio e evolução tecnológica, o Brasil consolida sua liderança na transição energética, conciliando sustentabilidade ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social.

A A1 Engenharia desenvolve projetos completos para extração do óleo e produção de biodiesel por transesterificação, desde o estudo de viabilidade até o detalhamento executivo. Nossa equipe multidisciplinar (processo, civil, mecânica, elétrica e instrumentação) garante soluções integradas, seguras e economicamente viáveis. Cada projeto é personalizado de acordo com as necessidades de cada cliente, para maximizar eficiência, reduzir custos operacionais e atender às normas técnicas e ambientais vigentes.

Referências Bibliográficas:

ANP – AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS. Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Rio de Janeiro, 2024. Disponível em:< https://www.gov.br/anp/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/anuario-estatistico/anuario-estatistico-brasileiro-do-petroleo-gas-natural-e-biocombustiveis-2025> Acesso em 18/12/2025

CEPEA/ABIOV Cadeia da soja e do biodiesel, PIB, empregos e comércio exterior, 2025 disponível em < https://www.cepea.org.br/upload/kceditor/files/Relat%C3%B3rio%20-%20Cadeia%20da%20Soja%20e%20biodiesel%20-%203T2025_1.pdf> acesso 18/12/2025

CARVALHO, H.R.C. Emissões Relativas de Poluentes do Transporte Motorizado de Passageiros nos Grandes Centros Urbanos Brasileiros. IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Texto para Discussão 1606, Brasília/DF, 2011. Disponível em < https://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/1578/1/td_1606.pdf>

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CERRI, C.E.P. et al. Assessing the greenhouse gas emissions of Brazilian Soybean biodiesel production. PLOS ONE, v. 12, n. 5, 2017.

KNOTHE, G.; VAN GERPEN, J.; KRAHL, J. The Biodiesel Handbook. Illinois: AOCS Press, 2005.

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SEMOVE disponível em <https://semove.org.br/wp-content/themes/semove/pdf/carbonometro.pdf>

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Biometano: Solução Sustentável para o Setor Sucroenergético https://a1.com.br/2026/01/16/biometano-solucao-sustentavel-para-o-setor-sucroenergetico/ https://a1.com.br/2026/01/16/biometano-solucao-sustentavel-para-o-setor-sucroenergetico/#respond Fri, 16 Jan 2026 17:00:34 +0000 https://a1.com.br/?p=2418

 

A indústria sucroenergética brasileira é reconhecida por sua excelência na produção de etanol, açúcar e bioeletricidade. No entanto, ainda há oportunidades para agregação de valor aos seus subprodutos, como a vinhaça. Tradicionalmente aplicada ao solo como fertilizante, a vinhaça é rica em nutrientes, mas seu grande volume e potencial poluidor gera desafios logísticos e ambientais.

O grande desafio da vinhaça — seu volume e potencial poluidor — pode se transformar em oportunidade estratégica por meio da produção de biometano. Com o avanço das tecnologias de biodigestão anaeróbia e a crescente demanda por fontes renováveis de energia, a transformação da vinhaça em biogás — e posteriormente em biometano — passou a representar uma das maiores oportunidades de inovação, eficiência e descarbonização para o setor. O Brasil produziu cerca de 318 bilhões de litros de vinhaça na safra 24/25, com potencial para gerar 5,8 bilhões de Nm³ de biogás (ESTEVES, 2020; EMBRAPA, 2025)

Este artigo explora o potencial energético dessa conversão, o valor agronômico da vinhaça pós-digestão e algumas aplicações estratégicas do uso do biometano, incluindo sua integração com a geração de energia solar.

  1. A Vinhaça: Desafio Ambiental e Recurso Estratégico

A vinhaça é gerada após a fermentação do caldo ou melaço e subsequente destilação do etanol. Para cada litro de etanol produzido, são gerados em média 10 a 14 litros de vinhaça. Trata-se de um efluente com alta carga orgânica, acidez moderada e grande concentração de nutrientes, especialmente potássio (K), além de nitrogênio (N), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e matéria orgânica carbonácea. (SOARES et al., 2013). A digestão anaeróbia é uma alternativa capaz de converter a vinhaça em fonte de receita. Além disso, a vinhaça biodigerida mantém seu valor como fertilizante e com características agronômicas até mais interessantes. (ELIA NETO, 2019).

  1. Biodigestão da Vinhaça e Produção de Biogás/Biometano

A biodigestão anaeróbia é o processo no qual microrganismos decompõem matéria orgânica na ausência de oxigênio, gerando biogás (mistura de metano e CO₂) e digestato (material líquido e sólido estabilizado). No caso da vinhaça, o biogás oriundo desse processo apresenta (MORAES et al., 2015):

  • 50 a 65% de metano (CH₄)
  • 35 a 45% de dióxido de carbono (CO₂)
  • Traços de H₂S e outros gases

Após purificação, remove-se o CO₂ e o H₂S, gerando o biometano, combustível equivalente ao gás natural. (ANEEL, 2008).

2.1. Vantagens da biodigestão da vinhaça

  • Redução significativa da carga orgânica e do potencial poluidor. (CETESB, 2022)
  • Produção de energia renovável, reduzindo dependência de combustíveis fósseis.
  • Possibilidade de certificação de créditos de carbono.
  • Geração de energia firme, ao contrário de fontes intermitentes como solar
  • Viabilidade econômica crescente com a produção de biometano (ABIOGÁS, 2024).
  1. Vinhaça Pós-Digestão: Fertilizante Rico em Potássio

Um aspecto essencial é que a biodigestão não destrói os nutrientes minerais da vinhaça. Após a conversão dos compostos orgânicos em biogás, os nutrientes permanecem no digestato. (SOARES, et al. 2014). Isso significa que a vinhaça biodigerida continua sendo um fertilizante altamente eficiente, principalmente como fonte de potássio e ainda se torna mais estável e menos odorífera.

3.1. Benefícios agronômicos do digestato

  • Redução de odores e matéria orgânica degradável.
  • Nutrientes mais estáveis e com eficiência igual ou superior à vinhaça bruta.
  • Menor risco de contaminação hídrica.

Assim, a vinhaça pós-digestão mantém seu papel fundamental como fertilizante, ao mesmo tempo que o processo gera energia renovável e reduz impactos ambientais.

  1. Usos do Biometano

O biometano é um gás renovável com propriedades praticamente idênticas às do gás natural fóssil, podendo substituí-lo em todas as aplicações. Essa versatilidade abre diversas oportunidades de uso para o setor sucroenergético. (ABIOGÁS, 2024). A seguir, exploramos quatro dos usos mais estratégicos:

4.1. Injeção na Rede de Gás Natural

Quando a usina está localizada próxima ao sistema de distribuição de gás natural, o biogás pode ser purificado e comercializado diretamente por injeção na rede.

Vantagens:

  • Nova fonte de receita recorrente.
  • Alto valor comercial, seguindo preço do gás natural.
  • Redução de emissões no setor de distribuição de gás.

Estados como São Paulo e Ceará já possuem projetos privados e parcerias entre usinas e distribuidoras para injeção de biometano na rede. EPE (2023).

4.2. Substituição de Diesel na Frota Agrícola da Usina

A substituição de diesel por biometano em tratores, colheitadeiras e caminhões representa um grande potencial econômico, uma vez que o custo de corte, transbordo e transporte é uma fatia significativa (cerca de 15%) do custo total de produção das usinas.

O uso pode ocorrer de duas formas:

  1. Motores originalmente a diesel convertidos para tecnologia “dual fuel”, usando misturas de biometano + pequena fração de diesel para ignição. (LANDIRENZO, 2021).
  2. Equipamentos novos já preparados para operar 100% a gás (mais comum em caminhões rodoviários, como modelos Iveco e Scania).

Vantagens

  • Redução de até 90% nas emissões de CO₂ equivalente.
  • Menor custo por km rodado.
  • Menor ruído operacional e maior autonomia.

Para usinas com grande frota interna, a economia de diesel e consequentemente o benefício financeiro é especialmente relevante.

4.3. Conversão de Veículos Leves (Ciclo Otto) para Biogás

Veículos leves com motores ciclo Otto, como utilitários da frota administrativa da usina, podem ser convertidos para operar com GNV/biometano de maneira relativamente simples (COMPAGAS, 2024). Como o biometano é quimicamente equivalente ao GNV, os mesmos kits comerciais de conversão podem ser utilizados.

Benefícios:

  • Redução expressiva do custo por quilômetro.
  • Emissões inferiores às da gasolina e do etanol hidratado.
  • Aproveitamento de uma energia produzida internamente pela própria usina.

Para deslocamentos internos ou entre unidades próximas, trata-se de alternativa prática e economicamente atrativa.

4.4. Geração de Energia Elétrica Integrada à Energia Solar

A geração elétrica a partir do biogás/metano pode ser realizada por grupos geradores a gás natural, amplamente disponíveis no mercado. Em paralelo ao crescimento da energia solar fotovoltaica, surge uma sinergia extremamente estratégica: usar os geradores de biogás apenas nos horários em que a energia solar não está disponível. Segundo Lima (2025), o biogás possui a característica de ser armazenável, o que permite o acionamento dos geradores quando a solar não produz energia.

Ou seja:

  • Durante o dia: energia solar supre a demanda e/ou injeta no sistema.
  • Durante a noite, madrugada ou períodos nublados: entra a geração a biogás.
  • Essa complementaridade é estratégica para o sistema nacional de energia elétrica, uma vez que garante potência e produção contínua de eletricidade, ampliando a confiabilidade da energia renovável.

O biogás, por ser armazenável (em gasômetros ou como biometano comprimido), funciona como bateria química, garantindo energia firme mesmo com a intermitência do recurso solar.

  1. Conclusão

A conversão da vinhaça em biogás e biometano representa atualmente uma das maiores oportunidades do setor sucroenergético. O processo:

  • Gera energia renovável, reduz impactos ambientais e contribui para metas de descarbonização nacionais e internacionais;
  • Mantém o valor agronômico da vinhaça como fertilizante rico em potássio;
  • Abre mercados para venda de biometano e créditos de carbono;
  • Integra-se perfeitamente com sistemas modernos de geração solar;
  • Aumenta a receita das usinas processadoras de cana-de-açúcar.

Com tecnologias já maduras e políticas energéticas favoráveis, o biometano tende a se tornar um dos pilares da economia verde brasileira. Para a agroindústria canavieira, trata-se não apenas de uma alternativa energética, mas de um caminho estratégico para aumentar competitividade, reduzir custos e agregar valor a um resíduo historicamente subaproveitado.

Além das tecnologias consolidadas para uso do biometano, surgem novas possibilidades ainda pouco exploradas, como sua utilização como matéria-prima para produção de hidrogênio verde, plásticos, fertilizantes e CCS (captura e armazenamento de CO₂). Essas aplicações ampliam o papel do biometano na transição energética e indicam um horizonte promissor para inovação no setor, tema que merece aprofundamento em estudos futuros.

A A1 Engenharia tem expertise para auxiliar seus clientes em projetos básicos, conceituais, e detalhados de produção de biogás, levando em consideração as diversas oportunidades e a viabilidade econômica. Nosso papel é ajudar a responder as questões: Quanto uma usina economiza ao substituir diesel por biometano? Qual o payback médio de um projeto de injeção de biometano na rede? Qual é o payback de um sistema de produção de energia elétrica com geradores a biometano?

Referências Bibliográficas

ABIOGÁS – Associação Brasileira de Biogás. Panorama do Biogás no Brasil. São Paulo, 2024. Disponível em: <https://abiogas.org.br/wp-content/uploads/2025/06/PANORAMA-DO-BIOGAS-2024.pdf>. Acesso em: 12 dez. 2025.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Atlas de Energia Elétrica do Brasil – Capítulo Biogás. 3. ed. Brasília, 2008.

CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Vinhaça – Critérios e Procedimentos para Aplicação no Solo Agrícola. São Paulo, 2006.

COMPAGAS. Conversão de veículos para GNV ganha agilidade e economia no Paraná. Relatório técnico, 2024. Disponível em: <https://www.compagas.com.br/blog/conversao-de-veiculos-para-gnv-ganha-agilidade-e-economia-no-parana.html>. Acesso em: 15 dez. 2025.

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EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Cana-de-açúcar. Brasília, 2025. Disponível em:

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EPE – Empresa de Pesquisa Energética. Panorama do biometano. Rio de Janeiro, 2023. (disponível em https://www.epe.gov.br/pt/publicacoes-dados-abertos/publicacoes/panorama-do-biometano-setor-sucroenergetico)

ESTEVES, H. B. B. Biogás no Brasil: Visão atual e futura. VII Fórum Biogás. Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: <https://www.epe.gov.br/sites-pt/sala-de-imprensa/noticias/Documents/APRESENTAÇÃO_ABIOGÁS_VII_Fórum_Biogas_2020_EPE_Final.pdf>. Acesso em: 15 dez. 2025.

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SOARES, M. R.; CASAGRANDE, J. C.; NICOLOSO, R. V. Uso da vinhaça da cana-de-açúcar como fertilizante. Embrapa, 2014.

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Poder Calorífico do Bagaço de Cana-de-Açúcar: uma análise comparativa Moenda vs. Difusor https://a1.com.br/2025/12/15/poder-calorifico-do-bagaco-de-cana-de-acucar-uma-analise-comparativa-moenda-vs-difusor/ https://a1.com.br/2025/12/15/poder-calorifico-do-bagaco-de-cana-de-acucar-uma-analise-comparativa-moenda-vs-difusor/#respond Mon, 15 Dec 2025 17:16:01 +0000 https://a1.com.br/?p=2404

Introdução

O bagaço de cana-de-açúcar, antes considerado resíduo, passou a ser valorizado como insumo essencial para cogeração de energia elétrica e produção de vapor agregando valor às usinas e ao setor sucroenergético. Com a recente desvalorização da energia elétrica produzida em turbinas de condensação e a crescente demanda, especialmente impulsionada por produtores de etanol de milho, surgem variações significativas de preço. No entanto, a comercialização do bagaço se baseia em peso úmido, sem considerar parâmetros técnicos como poder calorífico, o que pode levar a negociações injustas.

Nas usinas Brasileiras, predominam processos de extração por moenda, embora o difusor represente parcela relevante do parque industrial. Essa diversidade levanta a questão de como cada processo de extração pode influenciar a composição e o poder calorífico do bagaço. É esperado que o bagaço sofra uma degradação quando armazenado de uma safra para outra, principalmente pela ação microbiológica e exposição a intempéries – chuva, radiação solar e ventos – que atuam sobre as pilhas. Embora esse tema seja relevante, ele será abordado em um estudo futuro. Em uma análise recente em um dos projetos elaborados pela A1, identificamos diferenças significativas entre o bagaço oriundo de moendas e aquele produzido por difusores. Assim, neste artigo vamos explorar como o processo de extração (moenda vs. difusor) influencia na composição e no poder calorífico do bagaço, com ênfase em seus impactos na produção de vapor.

 

Comparação da Impureza Mineral: Moenda vs. Difusor

Recentemente, em um projeto de eficiência energética, comparamos a produção de bagaço entre duas unidades: uma com moenda e outra com difusor. É conhecido a diferença na qualidade do caldo produzida nos dois processos de extração: o caldo extraído do processo de difusão tem uma qualidade superior ao caldo extraído de moenda. Isso porque o processo de difusão atua como filtro, resultando em caldo com menor teor de sólidos em suspensão. Segundo Rein (2007), caldo é extraído com teor de 0,12 g/100g para difusor e 0,67 g/100g para moenda. Para efeitos práticos vamos considerar que os sólidos em suspensão presentes no caldo são formados de 60% impureza mineral (terra) e 40% impureza vegetal (bagacilho).

Através de um balanço simplificado conseguimos encontrar a quantidade de impureza mineral que ficou no bagaço para os dois processos. A tabela a seguir mostra os principais parâmetros usados no balanço e o resultado deste balanço.  

Tabela 1 – Parâmetros usados na determinação da impureza mineral no bagaço

Impureza mineral na cana-de-açúcar

0,7%*

Caldo produzido na moenda

1,07 **

Caldo produzido no difusor

1,20 **

Umidade do bagaço

50%*

Impureza estimada no bagaço produzido pela moenda

3,1 %

Impureza estimada no bagaço produzido pela moenda

1,2 %

* considerado para os dois processos: moenda e difusor
** kg de caldo /kg de cana-de-açúcar: diferença causada pela diferença na quantidade de água de embebição nos dois processos.

 

Metodologia para Cálculo do Poder Calorífico Inferior (PCI)

O PCI ou poder calorífico inferior é o parâmetro que representa a quantidade de energia liberada na combustão completa de combustíveis. Pode ser determinado por calorimetria ou estimado por fórmulas empíricas, baseada na composição elementar do combustível. Estudos empíricos mostram algumas variações dos parâmetros ajustados como a fórmula de Dulong fórmula de Milne, Demirbaş(2004). Essas diferenças dependem entre outros fatores, do tipo de combustível, cinzas, impurezas etc. A equação abaixo mostra uma boa aproximação para o bagaço de cana de açúcar.

onde:

  •  representam respectivamente as frações mássicas de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre, umidade, e material inerte no combustível.
 

A seguir, explicamos o significado físico de cada termo:

 — Contribuição do Carbono

O carbono é o principal elemento responsável pela energia liberada na combustão de combustíveis fósseis e biomassa. Ao oxidar-se completamente, forma dióxido de carbono (CO₂), liberando calor. O coeficiente 34.106 kJ/kg representa a quantidade média de energia liberada por unidade de massa de carbono no combustível.

 — Contribuição do Hidrogênio

O hidrogênio possui o maior poder calorífico por unidade de massa entre os elementos combustíveis. Quando oxida, forma vapor de água (H₂O), liberando grande quantidade de energia. Entretanto, parte desse calor é reduzida no cálculo do PCI, pois considera-se a água formada em fase de vapor, sem recuperar o calor de condensação. O coeficiente 90.962 kJ/kg já corresponde ao valor líquido após o desconto do efeito da vaporização da água gerada.

 — Efeito do Oxigênio

O oxigênio presente no combustível não contribui para a liberação de energia; pelo contrário, ele já está parcialmente combinado com o carbono e o hidrogênio, reduzindo o potencial energético disponível. Assim, quanto maior o teor de oxigênio, menor será o PCI. O coeficiente negativo –8.449 kJ/kg representa essa redução energética.

 — Contribuição do Enxofre

O nitrogênio, quando presente, oxida-se a NO, NO₂, NOx liberando energia. Seu efeito é praticamente neutro devido à baixa composição de nitrogênio quando comparado aos demais elementos. O coeficiente 5.941 kJ/kg indica a energia liberada por unidade de massa de nitrogênio orgânico presente.

 — Contribuição do Enxofre

O enxofre, quando presente, oxida-se a dióxido de enxofre (SO₂), liberando energia. Sua contribuição é menor que a do carbono e do hidrogênio, mas ainda relevante em combustíveis fósseis como carvão mineral e óleo combustível. O coeficiente 9.373 kJ/kg indica a energia liberada por unidade de massa de enxofre.

 — Perda por Umidade

A umidade (U) reduz diretamente o PCI, pois a água contida no combustível precisa ser evaporada durante a combustão, consumindo parte da energia liberada. O fator –2.512 kJ/kg corresponde ao calor latente médio de vaporização da água, descontando a energia útil disponível. Assim, quanto maior o teor de umidade, menor será o poder calorífico.

 — Perda por impurezas minerais

Minerais e terra são em grande parte inertes do ponto de vista calorífico: eles diluem o conteúdo combustível por massa e, portanto, reduzem o PCI por kg de material recebido. Alguns minerais (ex.: carbonatos como CaCO₃) sofrem decomposição endergônica que consome calor (penalidade adicional). Além disso, alguns minerais também podem reter água ligada (água de cristalização) que exige energia para ser removida. Uma equação mais rigorosa que descreve o efeito dos minerais presentes no combustível teria o formato a seguir.

Nesta equação , é a energia estimada necessária para a decomposição térmica do CaCO₃. Este termo só aparece se houver carbonatos significativos na cinza. Wb é a fração mássica de água ligada / cristalina associada a minerais (se houver) e Lb  é a energia necessária para liberar essa água ligada. Para usarmos esses parâmetros precisaríamos de uma caracterização da fração mineral da cinza produzida na caldeira. Assim, para efeitos práticos, vamos considerar apenas a influência na diluição do combustível. Ou seja, para simplificação nos cálculos  assim, a influência da das impurezas minerais  no combustível apenas reduz a composição elementar do combustível.

Resultados do PCI para Moenda e Difusor

Para aplicar a equação do PCI no bagaço, vamos considerar a composição elementar do bagaço apresentada na Tabela 2

Tabela 2 – Composição elementar do bagaço da cana-de-açúcar

Elemento

Fibra do bagaço

(Base seca)

Bagaço do difusor

Bagaço da moenda

C

47,91%

22,47%

23,38%

H

5,91%

2,77%

2,89%

N

0,33%

0,15%

0,16%

S

0,04%

0,02%

0,02%

O

48,8%

21,48%

22,35%

U

50 %

50 %

M

3,1 %

1,2 %

Aplicando a equação para calcular o PCI do bagaço encontramos os seguintes valores de PCI:

Essa metodologia apresentou um resultado muito parecido com o encontrado experimentalmente por Rein (2007), que determinou que o PCI do bagaço do difusor é de 7200 kJ/kg enquanto para moenda era de 7497 kJ/kg.

 

 

Conclusão

A diferença no PCI entre os bagaços de moenda e difusor se dá porque a maior parte da terra que entra com a cana termina no bagaço no processo de difusão. Esse artigo evidencia a importância de considerar a composição do bagaço na negociação comercial a depender principalmente da sua aplicação. A adoção de critérios técnicos, como o PCI, pode tornar o mercado mais justo e eficiente, especialmente diante da crescente demanda por biomassa energética.

 

 

Referências

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A1 Industrial – Infraestrutura e Capacidade de Fabricação de Soluções Metálicas Industriais https://a1.com.br/2025/12/10/elementor-2382/ https://a1.com.br/2025/12/10/elementor-2382/#respond Wed, 10 Dec 2025 14:09:04 +0000 https://a1.com.br/?p=2382

A A1 Industrial, empresa do Grupo A1, é especializada na fabricação de soluções metálicas industriais para projetos de média e alta complexidade. Atua com forte presença nos setores de papel e celulose, químico, petroquímico, offshore (WHPs e FPSOs), subsea, agroindustrial, energia, mineração, siderurgia e infraestrutura, oferecendo produtos desenvolvidos conforme rigorosos requisitos técnicos e normativos.

Localizada em Araucária/PR, a planta industrial da A1 Industrial possui posicionamento estratégico para atendimento em todo o Brasil, combinando capacidade fabril, controle de processos e engenharia aplicada para garantir eficiência, produtividade e qualidade em cada projeto.

Infraestrutura Industrial e Área Fabril

A unidade industrial ocupa uma área total de 116.000 m², sendo 6.000 m² de área produtiva e 7.000 m² voltados à estocagem de materiais e produtos, permitindo organização logística, segregação técnica de insumos e otimização dos fluxos internos de fabricação.

Essa infraestrutura proporciona condições ideais para a fabricação de estruturas metálicas, skids industriais, spools de tubulação e soluções modulares, assegurando confiabilidade operacional e controle dimensional ao longo de todo o processo produtivo.

Capacidade Produtiva e Processos de Fabricação

A capacidade produtiva instalada da A1 Industrial é de até 3.500 toneladas por ano, suportada por processos industriais integrados para:

  • Corte de chapas, tubos e perfis metálicos
  • Conformação e montagem estrutural
  • Soldagem industrial em aço carbono, aço inoxidável e ligas especiais
  • Jateamento abrasivo
  • Pintura industrial em cabine aquecida

Esses processos atendem às exigências de qualidade, durabilidade e desempenho mecânico aplicáveis a projetos industriais de alta complexidade.

Tecnologia em Corte a Laser de Alta Precisão

Entre os principais diferenciais tecnológicos da planta está a máquina de corte a laser com caneta articulada de 12.000W, considerada a maior da América Latina em sua categoria. O equipamento possibilita o corte de tubos e perfis metálicos com espessura de até 38 mm, garantindo:

  • Elevada precisão geométrica
  • Repetibilidade dimensional
  • Aumento de produtividade
  • Redução significativa de retrabalho

Essa tecnologia fortalece a competitividade da A1 Industrial em projetos que exigem alto nível de detalhamento técnico e confiabilidade.

Produtos e Soluções Metálicas Industriais

A A1 Industrial desenvolve e fabrica soluções customizadas, incluindo:

  • Estruturas metálicas industriais para edificações e pórticos
  • Estruturas de acesso, como plataformas e torres de escadas
  • Spools de tubulação e suportes metálicos em aço carbono, aço inoxidável e ligas especiais
  • Skids industriais e offshore
  • Soluções modulares metálicas

Os produtos são concebidos conforme especificações de engenharia, normas técnicas e requisitos operacionais de cada cliente.

Gestão Industrial, Controle e Engenharia Digital

A A1 Industrial utiliza ferramentas proprietárias de gestão industrial, integrando planejamento e controle da produção, gestão econômica, financeira e fiscal, além do controle de estoque vinculado às liberações de projeto e prioridades de campo.

Soluções como etiquetagem com QR Code, gestão visual por áreas da planta e reuniões de revisão com modelos 3D reforçam a rastreabilidade, previsibilidade e eficiência operacional ao longo de todo o ciclo de fabricação.

Equipe Técnica e Compromisso com a Qualidade

A diversidade dos setores atendidos permitiu à A1 Industrial formar uma equipe técnica altamente qualificada, com domínio de processos industriais, padrões de qualidade e requisitos de segurança. Esse know-how sustenta o compromisso contínuo com excelência operacional, inovação tecnológica, integridade nos negócios e evolução financeira consistente.

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A A1 fortalece continuamente sua capacidade industrial para atender à crescente demanda por soluções modulares https://a1.com.br/2025/10/21/a-a1-fortalece-continuamente-sua-capacidade-industrial-para-atender-a-crescente-demanda-por-solucoes-modulares/ https://a1.com.br/2025/10/21/a-a1-fortalece-continuamente-sua-capacidade-industrial-para-atender-a-crescente-demanda-por-solucoes-modulares/#respond Tue, 21 Oct 2025 16:48:51 +0000 https://a1.com.br/?p=2361

O mercado industrial vive um momento de transformação acelerada. Grandes projetos de infraestrutura, plantas industriais e empreendimentos de energia têm adotado, de forma crescente, soluções pré-fabricadas e modulares, como Pipe-Racks, Skids, Spools e estruturas metálicas complexas.

Atenta a essa movimentação e às exigências cada vez mais rigorosas de produtividade e precisão, a A1 Industrial, empresa do Grupo A1, vem investindo estrategicamente no desenvolvimento destas soluções, e no último ano instalamos em nossa unidade a maior máquina de corte a laser para perfis e tubos da América Latina, a qual foi desenvolvida sob medida para elevar o patamar da nossa capacidade produção.

Com capacidade de corte para tubos e perfis de 50mm a 500mm de diâmetro e até 1” ½ de espessura, a nova tecnologia permite operações de alta complexidade, como cortes, chanfros e furações em múltiplos ângulos, com a precisão do comando numérico computadorizado (CNC) e a qualidade do corte a laser. Seu cabeçote 3D, aliado à alimentação e descarga automáticas e combinados com os avanços horizontais e giro de tubos e perfis, garantem o processamento de peças de até 12 metros, com recortes e furações em todos os sentidos e o maior aproveitamento dos materiais.

Essa característica, somada à alta capacidade de produção, posiciona a empresa para responder de forma ágil às necessidades de cada projeto.

“Mais do que um investimento em tecnologia, essa aquisição é um movimento estratégico para ampliarmos nossa competitividade e entregarmos soluções industriais completas, com prazos reduzidos e qualidade superior”, destaca Vinicius Biscuola, Diretor Industrial da A1.

Com essa iniciativa, a A1 não apenas amplia sua capacidade produtiva, mas se consolida como referência no fornecimento de soluções modulares e pré-fabricadas, pronta para atender um mercado que exige velocidade, inovação e precisão em escala global.

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Análise da aplicação da função de proteção de sobrecorrente baseado no elemento de sequência negativa: Comparação do desempenho com os tradicionais elementos de fase e de sequência zero https://a1.com.br/2025/10/17/analise-da-aplicacao-da-funcao-de-protecao-de-sobrecorrente-baseado-no-elemento-de-sequencianegativa-comparacao-do-desempenho-com-os-tradicionais-elementos-de-fase-e-de-sequencia-zero/ https://a1.com.br/2025/10/17/analise-da-aplicacao-da-funcao-de-protecao-de-sobrecorrente-baseado-no-elemento-de-sequencianegativa-comparacao-do-desempenho-com-os-tradicionais-elementos-de-fase-e-de-sequencia-zero/#respond Fri, 17 Oct 2025 18:41:39 +0000 https://a1.com.br/?p=2326

Resumo — Este artigo analisa a aplicação do elemento de sobrecorrente de sequência negativa na proteção de

sistemas elétricos comparando seu desempenho com os tradicionais elementos de fase e de sequência zero.
Embora preterido na prática, o elemento de sequência negativa apresenta vantagens quando analisado em relés
microprocessados modernos. O estudo utilizou um sistema-teste com 16 barras, modelado no software
PowerFactory 2024 com dados reais do sistema Furnas, considerando tensões de 138 kV, 230 kV e 345 kV. Foram
simuladas mais de 300 faltas do tipo Fase-Fase, Fase, Fase-Terra e Fase-Terra, avaliando o tempo de atuação e
o alcance dos diferentes elementos de proteção. Os resultados indicam que o elemento de sequência negativa
teve maior alcance em 100% dos casos de faltas Fase, Fase, além de atuar mais rapidamente em até 90% destas
ocorrências. Também se mostrou eficaz em cenários onde os elementos tradicionais não atuariam, devido a
correntes de falta inferiores às de carga. A inclusão sistemática do elemento de sequência negativa pode
melhorar significativamente a seletividade, reduzir o tempo de interrupção e minimizar danos aos equipamentos sob falta.
Palavras-Chave — Sistemas de Proteção, Proteção de Sobrecorrente, Componentes Simétricas, Coordenação,
Seletividade, Funções de Proteção de Sequência Negativa.

    1. INTRODUÇÃO
      O projeto de sistemas de proteção para o sistema elétrico de potência (SEP) baseia-se em princípios fundamentais
      como simplicidade, confiabilidade, seletividade, facilidade de manutenção e rápida velocidade de atuação. Esses
      requisitos visam reduzir danos permanentes aos ativos do sistema, preservar a segurança das pessoas, minimizar os
      tempos de interrupção e isolar a menor porção possível do sistema afetado por uma falta [1], [2].
      Durante condições anormais, como faltas e desbalanços, surgem componentes de sequência negativa nas grandezas
      elétricas do SEP. Essas componentes refletem a assimetria entre fases e são indicativas da presença de anomalias
      operacionais. Relés de proteção modernos, especialmente os baseados em microprocessadores, permitem o uso desses
      componentes em algoritmos de proteção oferecendo funções com alta sensibilidade e confiabilidade [8].
      Historicamente, o uso de funções baseadas em sequência negativa foi limitado pela complexidade e alto custo das
      técnicas exigidas nas tecnologias de relés eletromecânicos e de estado sólido. Apesar da viabilidade técnica, o
      processamento dessas grandezas não era trivial, o que desestimulava sua aplicação prática. Com a evolução dos
      relés microprocessados, o acesso e utilização das componentes de sequência negativa tornaram-se
      significativamente mais simples. Ainda assim, observa-se que essas funções permanecem subutilizadas na prática de
      engenharia, sendo frequentemente preteridas em favor de elementos convencionais de fase e sequência zero.
      O conhecimento do comportamento dos elementos de um sistema elétrico, tanto em condições normais quanto em
      situações de falta, é essencial para a adequada aplicação das funções de proteção. É reconhecido pelos autores que o
      sistema de proteção dispõe de diversas funções, cada uma com papéis específicos na detecção e eliminação de faltas.
      Nesse contexto, a função de sobrecorrente é, em geral, empregada como proteção de backup. Diante disso, este
      trabalho tem como objetivo analisar o desempenho dos elementos de proteção de sobrecorrente tradicionais e
      comparar com a proteção baseada no elemento de sequência negativa, frente a diferentes tipos de faltas em sistemas de
      transmissão.
      Para isso, são avaliados os alcances e tempos de atuação dos elementos de fase, sequência negativa e sequência zero,
      a partir de simulações em um sistema teste modelado com base em dados reais do Sistema Furnas na região
      Goiás/Brasília, considerando três níveis de tensão: 138 kV, 230 kV e 345 kV [6]. Os resultados demonstram que a
      proteção por sequência negativa pode apresentar vantagens expressivas em termos de rapidez e abrangência, reforçando sua relevância na composição de esquemas práticos de proteção do SEP baseados em funções de sobrecorrente.

    1. CRITÉRIOS PARA AJUSTE DA PROTEÇÃO DE SOBRECORRENTE
      Para o ajuste do elemento de sobrecorrente temporizado de fase, o relé deve suportar, sem operar, as variações de
      carga rotineira do sistema (40% a 50% de folga). Além de acomodar as flutuações de corrente de carga, essa margem
      possibilita as transferências de carga devido a manobras na rede e futuras expansões [1].
      Para o caso aqui estudado, foi aplicado o fator de sobrecarga de 50% conforme referenciado em (1).

 

Onde:
𝐼𝑛 — Corrente nominal da carga;
𝐼𝑎𝑗 — Corrente de ajuste do relé de proteção;
𝐼𝑐𝑐. 𝑚𝑖𝑛. — Corrente de curto-circuito mínima.

Para o ajuste do elemento de sobrecorrente de sequência zero, o valor do ajuste do relé de neutro depende do local e
do porte do sistema elétrico. Na zona de geração elétrica a corrente está mais equilibrada. Na distribuição o
desequilíbrio é maior, conforme pode ser visto na Figura 1[1].

 

Para o caso aqui estudado, proteção de linhas de transmissão, foi aplicado o fator de 20% para desequilíbrio conforme (2).

 

Onde:
𝐼𝑛 — Corrente nominal da carga;
𝐼𝑎𝑗 — Corrente de ajuste do relé de proteção;
𝐼𝑐𝑐. 𝑚𝑖𝑛. 0 — Corrente de curto-circuito mínima de sequência zero.

Da mesma forma como elementos de sobrecorrente de sequência zero, os elementos de sobrecorrente de sequência
negativa podem ser ajustados abaixo dos níveis de corrente de carga [1].
Quando comparado a tradicional proteção de sobrecorrente de fase, o elemento de sobrecorrente de sequência negativa pode ser ajustado para operar com maior rapidez e sensibilidade em faltas do tipo Fase-Fase, uma vez que não responde a condições de carga equilibrada [3].

A Tabela 1 a seguir mostra quais elementos, fase ou sequência zero, são comumente utilizados para fazer a detecção dos vários tipos de falta que ocorrem no SEP.

 

Observa-se, pela Tabela 1, que os elementos de sobrecorrente de fase são empregados na detecção de faltas envolvendo duas ou mais fases, enquanto os elementos de sobrecorrente residual (ou de terra) são aplicados às faltas que envolvem a terra. Essa estrutura de proteção reflete uma abordagem convencional baseada no uso direto das correntes de fase (Ip) e da corrente de sequência zero (I0) como variáveis operativas primárias. Contudo, essa abordagem não contempla de forma abrangente o uso das componentes de sequência negativa (I2), apesar de sua presença consistente em situações de operação assimétricas, como nas faltas monofásicas à terra (FT), bifásicas à terra (FFT) e bifásicas (FF). Os relés microprocessados permitem o processamento em tempo real das componentes simétricas, viabilizando a implementação de funções de proteção baseadas em I2. Tais funções oferecem elevada sensibilidade à assimetria e podem ser utilizadas como elementos discriminantes na detecção de faltas não equilibradas, inclusive em situações em que os elementos convencionais de fase ou terra apresentem limitações de sensibilidade, seletividade ou coordenação. Nesse sentido, a utilização da corrente de sequência negativa como variável operativa representa uma estratégia eficaz para a detecção de faltas FT, FFT e FF. Em faltas FT e FFT, I2 surge juntamente com I0, podendo atuar como elemento redundante ou complementar ao elemento de sequência zero. Para faltas FF, onde não há geração de I0, o uso de I2 se torna ainda mais relevante, oferecendo uma alternativa robusta em cenários onde a atuação baseada exclusivamente em Ip pode ser comprometida por baixos níveis de corrente de falta ou pela presença de cargas desequilibradas. Portanto, a adoção de elementos de proteção baseados em sequência negativa, viabilizada por relés microprocessados, configura-se como uma extensão natural e tecnicamente justificável da proteção convencional, contribuindo para o aumento da sensibilidade, seletividade e rapidez de resposta em sistemas elétricos de potência. 3. METODOLOGIA O sistema-teste deste trabalho é o sistema de 16 barras, caso base carga pesada, extraído a partir de dados do sistema de Furnas – região Goiás/Brasília em três níveis de tensão: 138 kV, 230 kV e 345 kV [6]. Para modelagem e análise do sistema elétrico foi utilizado o software – PowerFactory (PF) – 2024. O sistema teste foi complementado com dados técnicos do comprimento das linhas, com a inserção de equipamentos de proteção e medição – transformadores de corrente/potencial e relés de proteção, possibilitando a análise da atuação dos elementos de proteção. O sistema possui duas áreas elétricas, área 1 que concentra o setor de 345 kV e a área 2 em 230 kV. Possui duas usinas geradoras, sendo uma de 422 MW (Geração máxima) na área 1 e outra de 420 MW (3 x 140 MW – Geração máxima) na área 2. A rede de transmissão em malha fechada com circuitos simples e duplos, totalizam quatorze circuitos. Possui três transformadores de interligação de níveis de tensão diferentes para controle de tensão, um compensador síncrono ligado à barra 9 e dispositivos em derivação: três reatores e um capacitor. Trata-se de um sistema ainda com aspecto didático, mas apresentando características de um sistema real., conforme representado na Figura 2:

 

As simulações buscam avaliar a aplicabilidade, o alcance e comparar os tempos de atuação dos elementos de proteção de sobrecorrente para as seguintes condições:  Faltas Fase-Fase – Comparação da atuação dos elementos de fase e de sequência negativa;  Faltas Fase-Fase-Terra – Comparação da atuação dos elementos de fase e de sequência negativa e comparação da atuação dos elementos de sequência negativa e de sequência zero;  Faltas Fase-Terra – Comparação da atuação dos elementos de sequência zero e de sequência negativa. Conforme Tabela 1, atualmente os estudos elétricos desenvolvidos propõem a seguinte cobertura de proteção:  Faltas Trifásicas, faltas Fase-Fase e faltas Fase, Fase-Terra: Utilização dos elementos de sobrecorrente de fase;  Faltas envolvendo a terra, Fase-Fase-Terra e Fase, Terra: Utilização dos elementos de sobrecorrente de sequência zero. Na literatura técnica, observa-se a aplicação limitada do elemento de sequência negativa na definição dos esquemas de proteção. Esse elemento pode ser ajustado de forma semelhante ao elemento de sequência zero e quando comparado ao elemento de sobrecorrente de fase, possui a vantagem de atuar mais rapidamente em situações de desequilíbrio, já que não responde a cargas balanceadas. Dessa forma, este estudo propõe a utilização do elemento de sequência negativa na detecção de faltas do tipo FT, FFT e FF, substituindo os elementos tradicionais de sobrecorrente de fase e de sequência zero. A expectativa é aumentar tanto a sensibilidade quanto a velocidade de resposta da proteção. Os ajustes dos elementos de fase e de sequência zero seguiram a orientação das bibliografias tradicionais [1], [2]. Já o elemento de sequência negativa foi ajustado, neste estudo, de maneira análoga ao elemento de sequência zero, considerando desbalanço de 20%, conforme (3):

Onde: — Corrente nominal da carga;  — Corrente de ajuste do relé de proteção; — Corrente de curto-circuito mínima de sequência negativa. 4. RESULTADOS A análise envolveu a simulação de mais de 300 faltas, sendo faltas francas Fase-Fase, Fase-Fase-Terra e Fase-Terra, junto as diversas barras e ao longo das linhas do sistema, com os resultados sendo detalhados a seguir. No sistema teste – Área 1 da Figura 3, setor de 345 kV, foi aplicado um curto-circuito Fase-Fase junto a barra 10, e avaliado o tempo de atuação e o alcance dos relés envolvidos, conforme circuito esquemático mostrado na Figura 3.

No coordenograma mostrado na Figura 4 aparecem destacados, para o mesmo relé, os tempos de atuação do elemento de fase (425 ms) e a atuação mais rápida do elemento de sequência negativa (398 ms), para uma mesma falta. Analisando a atuação dos demais relés para esta falta junto a Barra 10, os tempos e a diferença de atuação foram registrados conforme Tabela 2. O RL2-LT1.10.11 mais próximo a falta atua primeiro, e os demais como retaguarda.

 

Os resultados, conforme mostrado na Tabela 2, indicam que a atuação do elemento de sequência negativa foi mais rápida nos dois primeiros relés, além disso, este elemento permitiu alcance a todos os relés envolvidos. A filosofia de proteção deve assegurar que não haja perda de seletividade, mesmo diante dos longos alcances associados ao elemento de sequência negativa. Expandindo a análise das faltas Fase-Fase percorrendo a linha 10.11, em intervalos de 12,5% do comprimento da linha de transmissão, tem-se os seguintes tempos de atuação dos relés, conforme exemplo do relé RL2-LT1.11.12 representado na Figura 5 a seguir. Os resultados indicados, referem-se somente aos casos em que o relé opera para os dois elementos: fase e sequência negativa.

Observa-se na Figura 5 que a atuação do elemento de sequência negativa é mais rápida que o elemento de fase em 100% da extensão da linha. Se forem incluídos nesta análise todos os relés sensibilizados pela falta Fase-Fase na Barra 10, teríamos os tempos de atuação conforme limites indicados Figura 6.

 

 

Verifica-se na Figura 6 que os limites de atuação dos elementos de sequência negativa são menores que os limites de atuação dos elementos de fase em todos os relés comparados. No relé RL2-LT1-11.12, por exemplo, para sequência negativa todas as atuações ficaram abaixo de 600 ms, enquanto o elemento de fase parte de 620 ms. Importante ressaltar que para esta falta, só o elemento de sequência negativa teve alcance no relé RL1-LT1-2.3. O elemento de fase não atuou. Analogamente foram aplicadas faltas: – Fase-Fase-Terra e comparados os elementos de fase x sequência negativa e os elementos de sequência negativa x sequência zero; – Fase-Terra e comparados os elementos de sequência negativa x sequência zero.

 

No coordenograma da Figura 7 além da comparação dos tempos de atuação, pode-se observar o intervalo de coordenação variando de 251 a 294 ms. Incluindo nesta análise todos os relés sensibilizados para esta falta FFT na Barra 10, a Tabela 3 apresenta os seguintes tempos de atuação:

 

 

A Tabela 3 evidencia que a diferença de atuação entre os elementos fica abaixo dos 35 ms e que, neste caso, assim como no caso da falta Fase-Fase, o elemento de fase sensibiliza em menor número de relés, limitando a proteção de retaguarda. Aplicado as demais faltas propostas nos dois níveis de tensão 345 /230 kV e nos dois sentidos, considerando apenas os casos em que ambos os elementos avaliados atuaram para uma mesma falta, avaliando os tempos de atuação, a Figura 8 indica o elemento que teve a atuação mais rápida para faltas envolvendo mais de uma fase. 

 

 

A análise dos resultados demonstrou que, o elemento de sequência negativa apresentou tempos de atuação inferiores em 87,65% dos casos de falta Fase-Fase e em 70,47% dos casos de falta Fase-Fase-Terra, conforme indicado no gráfico comparativo. Da mesma forma a Figura 9 indica o elemento que teve atuação mais rápida para as faltas envolvendo a terra.

 

Para faltas FFT, o elemento de sequência negativa foi mais rápido em 56,72% dos casos, contra 43,27% do Local do Curto Tipo de Falta ELEMENTO R2-LT1-10.11 (ms) R2-LT1-11.12 (ms) R1-LT1-3.12 (ms) R1-LT1-2.3 (ms) FASE 412,00 706,00 S/ ALCANCE S/ ALCANCE SEQ. NEGATIVA 447,00 698,00 1234,00 S/ ALCANCE Barra 10 (Barra Jus) FFT RL1-LT1-2.3 SÓ ATUOU PARA O SEQ. NEGATIVA Atuação do Elemento de Fase Atuação do Elemento de Fase Atuação do Elemento de Seq. Neg. Atuação do Elemento de Seq. Neg. 698 ms 706 ms 447ms 412ms elemento de sequência zero. Já nas faltas FT, o desempenho do elemento de sequência negativa também foi superior, com 54,39% das atuações mais rápidas, frente a 45,61% do elemento de sequência zero. Após a análise dos tempos de atuação, com foco na avaliação do alcance dos elementos de proteção, foram identificados 146 casos, entre todas as faltas simuladas e os quatro relés avaliados — considerando-se a direcionalidade — em que ao menos um elemento de proteção não foi sensibilizado com os ajustes aplicados.

 

 

A análise dos resultados indicou que, nos 32 casos de faltas Fase-Fase em que pelo menos um elemento de proteção não foi sensibilizado, o elemento de fase foi o responsável por 100% das ocorrências. Já nos 45 casos de faltas FaseFase-Terra, observou-se que, em 82,22% das ocorrências, o elemento de fase também não foi sensibilizado, conforme ilustrado no gráfico. Da mesma forma a Figura 11, indica o percentual de não atuação dos elementos de proteção especificamente para as faltas envolvendo a terra.

 

 

Os resultados mostram que, nos 46 casos de faltas FFT em que pelo menos um elemento de proteção não foi sensibilizado, o elemento de sequência zero foi o responsável por 63,04% das ocorrências. Já nos 23 casos de faltas FT, observou-se que, em 26,09% das ocorrências, o elemento de sequência zero também não foi sensibilizado, conforme ilustrado no gráfico. Neste estudo, foram simuladas mais de 300 faltas, sendo faltas Fase-Fase, Fase-Fase-Terra e Fase-Terra, nas diversas barras e ao longo das linhas do sistema e com os principais resultados:  Para as faltas Fase-Fase em 100% dos casos, o elemento de sequência negativa apresentou um alcance maior do que o elemento de fase;  Para as faltas Fase-Fase, em cerca de 90% das ocorrências, o elemento de sequência negativa atuou mais rápido, de 25 a 75 ms, que o elemento de fase;  Para as faltas Fase-Fase-Terra, em 75% dos casos, o elemento de sequência negativa atuou mais rápido, 90 ms em média, que o elemento de fase;  Para as faltas Fase-Terra, em 54% dos casos, o elemento de sequência negativa foi mais efetivo que o elemento de sequência zero. Isto se deve principalmente, porque em algumas linhas do sistema, a I0 é maior que as correntes de curto fase-terra, não permitindo o ajuste do elemento de sequência zero, conforme ilustrado na Figura 13. Em alguns pontos do sistema a corrente de ajuste (função da corrente nominal) do elemento de fase Ip é superior às correntes de falta, como mostra a Figura 12, restringindo a aplicação deste elemento. Como o elemento de sequência negativa é ajustado pela corrente de desequilíbrio I2 e é uma porcentagem da corrente de carga, não há esta restrição. 

 

 

 

Em outras regiões do sistema, a corrente de ajuste do elemento de sequência zero, ajustado pela corrente I0 (porcentagem da corrente de carga) é superior que as correntes de falta envolvendo a terra, como mostra a Figura 13 não permitindo a aplicação do elemento de sequência zero, apenas o elemento de sequência negativa.

 

A Figura 13 mostra a corrente de sequência zero (I0= 59,2A) superior a corrente de falta fase-terra (I0cc1Ø), não permitindo a aplicação do elemento de sequência zero, conforme requisitos estabelecidos em (2). Os resultados reforçam a importância da análise da aplicação do elemento de sequência negativa, como função de proteção nos sistemas elétricos. Considerando os resultados, propõe-se a aplicação do elemento de sequência negativa conforme a Tabela 4 a seguir. 

 

5. CONCLUSÕES O presente artigo abordou a aplicação do elemento de sequência negativa como técnica de proteção em sistemas elétricos, uma abordagem ainda pouco explorada na literatura existente. Por meio da implementação de um sistema teste real, foi possível comparar o desempenho do elemento de sequência negativa com os elementos de fase e de sequência zero, com foco no tempo de atuação e alcance. Os resultados obtidos indicaram que o elemento de sequência negativa apresentou desempenho superior, com tempos de atuação mais rápidos e maior alcance em relação aos elementos tradicionais de fase e de sequência zero. No que se refere ao alcance, é importante destacar tanto os benefícios quanto as limitações dessa característica. Como ponto positivo, o maior alcance possibilita a cobertura de todos os relés ao longo do circuito, aumentando a sensibilidade da proteção e garantindo maior abrangência na detecção de falhas. Além disso, esse alcance pode ser ajustado (encurtado), permitindo certa flexibilidade na configuração do sistema. Por outro lado, esse mesmo alcance ampliado pode representar uma desvantagem, pois pode elevar o risco de perda de seletividade entre os dispositivos de proteção. Diante disso, a aplicação do elemento de sequência negativa deve ser criteriosamente avaliada pelo engenheiro responsável, considerando-se a filosofia de proteção adotada e os requisitos específicos da instalação. A proposta inicial consistia na utilização do elemento de sobrecorrente de sequência negativa para a detecção de faltas do tipo fase-terra (FT), fase-fase-terra (FFT) e fase-fase (FF), substituindo integralmente os elementos convencionais de sobrecorrente de fase e de sequência zero. Com base nos resultados obtidos, propõe-se que a filosofia de proteção considere as variáveis operativas conforme indicado na Tabela 4. Esses resultados têm impactos significativos na melhoria da confiabilidade e eficiência dos sistemas de proteção, especialmente em regiões onde os elementos de fase ou de sequência zero não são eficazes devido a características específicas de corrente nominal e de falta. A maior rapidez na atuação do elemento de sequência negativa contribui para a redução do tempo de interrupção, minimizando danos aos equipamentos dentro da zona de proteção e, consequentemente, garantindo uma maior segurança operacional. Embora o estudo tenha sido realizado com um sistema teste real, algumas limitações precisam ser consideradas, como a dependência das condições operacionais específicas do sistema estudado. Essa análise está sendo estendida para aplicações em sistemas industriais, com o objetivo de verificar se os ganhos de sensibilidade e rapidez de resposta observados em sistemas elétricos de potência também se reproduzem nesse contexto.

 

Nilson Cunha Júnior Gerente de Elétrica Instrumentação&Automação A1 ENGENHARIA Araucária, PR 83707-090 – Brasil Tel.: + 55 (41) 3616-3616; email:nilson.cunha@a1.com.br Prof. Dr. Ulisses Chemin Neto Professor PPGSE Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR Curitiba, PR 80230-901 – Brasil Tel.: + 55 (41) 3310-4626; email: ucnetto@utfpr.edu.br Dr. Fabiano Magrin Engenheiro FGSM Engenharia Campinas, SP 13025-340 – Brasil Tel.: + 55 (19) 981142808; email: magrin@fgsm.eng.br

 

 

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Análise Pinch: Otimização Energética em Processos Industriais https://a1.com.br/2025/09/05/analise-pinch-otimizacao-energetica-em-processos-industriais/ https://a1.com.br/2025/09/05/analise-pinch-otimizacao-energetica-em-processos-industriais/#respond Fri, 05 Sep 2025 13:54:46 +0000 https://a1.com.br/?p=2241

A Análise Pinch é uma metodologia de integração energética amplamente utilizada em processos químicos e petroquímicos. Seu principal objetivo é reduzir o consumo de utilidades externas, como vapor e água de resfriamento, promovendo a recuperação máxima de energia dentro da própria planta. Essa técnica surgiu na década de 1970 e consolidou-se como ferramenta fundamental no desenho de sistemas de trocadores de calor.

O conceito central da Análise Pinch está na identificação do chamado “ponto Pinch”, que corresponde ao gargalo térmico do sistema. Esse ponto determina os limites de recuperação de calor e orienta as regras de projeto que devem ser seguidas para garantir o uso mínimo de utilidades. A metodologia aplica-se a qualquer sistema onde coexistam correntes quentes, que necessitam ser resfriadas, e correntes frias, que precisam ser aquecidas.

O primeiro passo para aplicar a Análise Pinch consiste na identificação das correntes de processo. Para cada corrente, devem ser conhecidas a temperatura de entrada, a temperatura de saída e a capacidade térmica (produto da vazão mássica pelo calor específico, ṁ·Cp). Em seguida, define-se a diferença mínima de temperatura admissível entre as correntes em trocadores de calor (ΔTmin ou approach), geralmente entre 10 °C e 20 °C, o que influencia diretamente o balanço entre custo de capital e custo operacional.

Para ilustrar, considere um exemplo utilizando as correntes apresentadas na Tabela 1. Para este sistema, vamos assumir um ΔTmin = 20 °C.

Tabela 1 – Correntes do processo

No. Stream Name Stream type Supply Temperature Target Temperature ṁ·Cp
kW / K
Heat Load kW
1 CE Hot 120 30 993 89373
2 VN Hot 95 50 1317 59273
3 CO Hot 95 50 153 6878
4 VI Hot 34 29 9333 46667
5 CP Cold 30 105 -736 -55200
6 CS Cold 48 105 -703 -40082
7 CC Cold 95 127 -1496 -47875
8 DES Cold 25 120 -29 -2771

A partir desses dados, constroem-se as curvas compostas. Para isso, todas as correntes quentes são deslocadas em -ΔTmin/2, enquanto as correntes frias são deslocadas em +ΔTmin/2. A Figura 1 mostra a representação dessas correntes em um diagrama TxDH. Nessa representação o eixo das abcissas representa a carga térmica e a inclinação das curvas, a capacidade térmica de cada corrente.

Figura 1 – Diagrama temperatura vs. variação da entalpia. (a) mostra as correntes quentes plotados separadamente em um diagrama de temperatura-calor. (b) mostra as correntes frias plotados separadamente em um diagrama de temperatura-serviço.

A curva composta é construída simplesmente somando as variações de entalpia das correntes individuais dentro de cada intervalo de temperatura. A soma das capacidades caloríficas em cada faixa de temperatura define a inclinação das curvas. O encontro das curvas representa o ponto Pinch, que marca a fronteira entre as regiões superior (acima do Pinch) e inferior (abaixo do Pinch).

A Figura 2 (a) apresenta o resultado desse procedimento para o exemplo numérico proposto. A curva vermelha representa a composição das correntes quentes e a curva azul, das correntes frias. O ponto de maior proximidade entre elas é o ponto Pinch, a partir do qual definem-se as regras de projeto. A Figura 2 (b) apresenta a curva com a temperatura real, +ΔTmin/2 para corrente fria e – ΔTmin/2 para corrente quente. A distância entre as curvas é o ΔTmin (approach), que foi estabelecido no início dos cálculos.  Acima do Pinch, não se deve utilizar utilidades de resfriamento, e abaixo dele, não se deve utilizar utilidades de aquecimento.

Figura 2 – Composite curve. (a) shifted temperature. (b) actual temperature

Esse resultado permite quantificar o consumo mínimo de utilidades. O deslocamento entre a curva quente e fria nas temperaturas mais altas mostra a quantidade mínima de vapor que será necessária para aquecer as correntes frias. Da mesma forma, a diferença entre o início da curva quente e da curva fria em temperaturas mais baixas define a necessidade mínima de água de resfriamento. Assim, a Análise Pinch não apenas indica onde instalar trocadores de calor, mas também fornece os limites termodinâmicos do sistema.

A grande curva composta apresentada na Figura 3 é construída plotando-se a diferença de carga térmica entre as curvas compostas quente e fria Figura 2 (a), em função da temperatura. Ela fornece uma representação gráfica do fluxo de calor através do processo — da seção quente para as partes do processo acima do ponto de estrangulamento (Pinch), e do processo abaixo do ponto de estrangulamento para a seção fria.

Figura 3 – Gran Composite Curve

Uma vantagem relevante da metodologia é que ela não se limita a otimizar processos existentes, mas também pode ser usada no estágio de projeto conceitual de novas unidades. Dessa forma, engenheiros conseguem prever a demanda energética antes mesmo da instalação dos equipamentos, reduzindo custos operacionais ao longo de toda a vida útil da planta. Além disso, a análise pode ser expandida para incluir integração de utilidades, cogeração e até balanços de massa.

É importante ressaltar que a aplicação prática da Análise Pinch deve considerar aspectos econômicos e operacionais. Em alguns casos, mesmo que a teoria indique máxima integração, restrições de layout, segurança ou confiabilidade podem justificar a adoção de utilidades adicionais. Portanto, a técnica deve ser vista como uma ferramenta de apoio à decisão, e não como uma solução única.

Em síntese, a Análise Pinch permite ganhos expressivos de eficiência energética. Ao identificar limites de recuperação de calor e orientar a alocação ótima de trocadores, ela contribui diretamente para a sustentabilidade industrial, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e consumo de recursos. Seu uso é altamente recomendado em setores intensivos em energia, como agroindústrias, petroquímicas, papel e celulose e alimentos.


Referências Bibliográficas

  • Linnhoff, B., & Hindmarsh, E. (1983). The pinch design method for heat exchanger networks. Chemical Engineering Science, 38(5), 745–763.
  • Kemp, I. C. (2007). Pinch Analysis and Process Integration: A User Guide on Process Integration for the Efficient Use of Energy. Butterworth-Heinemann.
  • Smith, R. (2016). Chemical Process Design and Integration. Wiley.

Rubens Eliseu Nicula De Castro

Engenheiro Especialista – A1 Engenharia.

  • Engenheiro Químico;
  • PhD em Engenharia Química;
  • MBA em Gerenciamento de projetos.
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